Convocatória Vulva la Vida 2012

Posted in Sem categoria on Setembro 2, 2011 by Antonio Henrique

(AJUDEM A DIVULGAR, REPASSEM PARA TUDO QUE É LISTA E AMIGOS)

CONVOCATÓRIA VULVA LA VIDA 2012

No dia 28 de Setembro de 2011, o Coletivo Vulva la Vida lança sua convocatória, no mesmo dia em que milhares de mulheres no Brasil estão numa sinergia pelo Dia de Luta pela Descriminalização do Aborto. É na inspiração dessa energia, dessa vontade de decidir sobre nossas vidas, que abrimos nossa segunda edição da Convocatória com o lançamento do documentário “Vulva la vida, vida lá vou eu”, fruto de toda provocação feminista gerada na primeira edição do Festival Vulva la Vida. O documentário resgata a experiência da primeira edição do Festival que aconteceu em Salvador (BA), entre 19 e 23 de janeiro de 2011 e abarcou shows, oficinas, e debates voltados para a construção de valores e práticas anti-sexistas e o fortalecimento da solidariedade feminista. O vídeo conta com falas de organizadoras e participantes do festival, que compartilham suas leituras sobre o evento, enfatizando desde o processo de construção do Vulva la Vida, até avaliações sobre a repercussão do mesmo, que de forma autônoma e idependente conseguiu atrair mulheres de diversos contextos, tanto da Bahia quanto de outros estados.

Não é a toa que o entusiamos e a união fez constituir o Coletivo Vulva La Vida, que agora chama mulheres/garotas interessadas em participar na construção autônoma e faça-você-mesma de uma festança contracultural feminista que será a segunda edição do Festival, marcado para Janeiro do ano que vem. A proposta do coletivo é agregar diversão à politica, baseando-se na cultura Riot Grrrl, resgatando o espirito rebelde para o feminismo. Estará aberta a convocatória, entre os dias 28 de setembro à 28 de outubro. Sendo assim, envie suas sugestões para o e-mail vulvalavida@gmail.com para: ministrar oficinas, facilitar discussões, socializar debates, criações, danças, artes, músicas, etc. É só chegar, tem espaço para tudo isso e muito mais. Participe e divulgue!

 

Nos encontramos, no lançamento do “Vulva la vida, vida lá vou eu”

Local: Sala Alexandre Robatto – Biblioteca dos Barris (Salvador/BA)

Data: 28/09/2011 (quarta-feira)

Horário: 19h

 

 

 


E confira as datas de lançamento em outros estados:  www.festivalvulvalavida.wordpress.com

 

 

 

Coletivo Vulva la Vida

ORGULHOSAMENTE FEMINISTAS, NECESSARIAMENTE INCONVENIENTES

[Tradução] Depois do Feminismo – Beatriz Preciado

Posted in Sem categoria on Agosto 25, 2011 by Antonio Henrique

Como foi prometido, aqui vai mais uma nova tradução. Qualquer erro que vocês perceberem no texto, podem comentar e vamos tentar consertar, arrumar.

Espalhem, divulgem, linken, re-linken e vamos que vamos. E o principal: COMENTEM! (vamos conversar, meu povo)

A proxima tradução a ser postada será: Museo,basura urbana y pornografía – Beatriz Preciado.

DEPOIS DO FEMINISMO – MULHERES NAS MARGENS.

Beatriz Preciado

Nos últimos anos surgiram uma série de autoras que sustentam que o objetivo do novo feminismo deve ir mais além de conseguir a igualdade legal da mulher branca, ocidental, heterossexual e de classe média. Para elas se trata de atender as mulheres tradicionalmente deixadas na margem e de combater as causas que produzem as diferenças de classe, raça e gênero. Enquanto a retórica da violência de gênero infiltra os meios de comunicação nos convidando a seguir imaginando o feminismo como um discurso político articulado em torno da posição dialética entre os homens (do lado da dominação) e as mulheres (do lado das vítimas), o feminismo contemporâneo que, sem dúvida, uniu os domínios teóricos e práticos submetidos à maior transformação e crítica reflexiva desde os anos setenta, não deixa de inventar imaginários políticos e de criar estratégias de ação que põem em questão aquilo que parece mais óbvio: que o sujeito político do feminismo seja as mulheres, as mulheres entendidas como uma realidade biológica pré-definida, e , sobretudo as mulheres enquanto brancas, heterossexuais, submissas e de classe média. Emergem deste questionamento novos feminismos de multidões, feminismos para os monstros, projetos de transformação coletiva para o século XXI.

Estes feminismos dissidentes se fazem visíveis a partir dos anos oitenta quando, em sucessivas ondas críticas, os sujeitos excluídos pelo feminismo conservador começam a criticar os processos de purificação e da repressão de seus projetos revolucionários, processos que objetivavam um feminismo cinza, normativo e puritano que vê nas diferenças culturais, sexuais ou políticas, ameaças a seu ideal heterossexual e eurocêntrico de mulher. Trata-se do que poderíamos chamar, com a lúcida expressão de Virginie Despentes, do despertar crítico do “proletariado do feminismo”, cujos maus sujeitos são as putas, as lésbicas, as estupradas, as mulheres-machos, os e as transexuais, as mulheres que não são brancas, as mulçumanas… em definitivo, quase todos nós.

Esta transformação do feminismo se levou a cabo através de sucessivos des-centramentos do sujeito mulher que de maneira transversal e simultânea questionaram o caráter natural e universal da condição feminina. Os primeiros destes deslocamentos vieram das mãos de teóricos gays e teóricas lésbicas como Michel Foucault, Monique Wittig, Michael Warner ou Adrienne Rich, que definiram a heterossexualidade como um regime político e um dispositivo de controle que produz a diferença entre os homens e as mulheres, e transforma a resistência à normalização em patologia. Judith Butler e Judith Halberstam insistiram nos processos de significação cultural e de estilização do corpo através das quais se normalizam as diferenças entre os gêneros, enquanto Donna Haraway e Anne Fausto-Sterling colocaram em questão a existência dos sexos como realidades biológicas independentemente dos processos científico-técnicos de construção da representação. Por outra parte, junto com os processos de emancipação dos negros nos Estados Unidos e da descolonização do chamado Terceiro Mundo, Gloria Anzaldua e Gayatri Spivak fizeram visíveis os projetos do feminismo negro, pós-colonial, mulçumano ou da diáspora que obrigará a pensar o gênero em sua relação constitutiva com as diferenças geopolíticas de raça, de classe, de migração e de tráfico humano.

Um dos deslocamentos mais produtivos surgira precisamente daqueles âmbitos que se haviam pensando até agora como o submundo da vitimização feminina e dos quais o feminismo não esperava ou não queria esperar um discurso crítico. Tratam-se das trabalhadoras sexuais, as atrizes pornôs e os insubmissos sexuais. Boa parte deste movimento se estrutura discursiva e politicamente em torno dos debates do feminismo contra a pornografia que começa nos Estados Unidos nos anos oitenta e que se conhece com o nome de “guerras feministas do sexo”. Catharine Mackinnon e Andrea Dworkin, porta-vozes de um feminismo anti-sexo, vão utilizar a pornografia como modelo para explicar a opressão política e sexual das mulheres. Sob o slogan de Robin Morgan “a pornografia é a teoria, a violação a prática”, condenam a representação da sexualidade feminina levada a cabo pelos meios de comunicação como uma forma de promoção da violência de gênero, da submissão sexual e política das mulheres e advogam pela abolição total da pornografia e da prostituição. Em 1981, Ellen Willis, uma das pioneiras da crítica feminista de rock nos Estados Unidos, será a primeira a intervir neste debate para criticar as cumplicidades do feminismo abolicionista com as estruturas patriarcais que reprimem e controlam o corpo das mulheres na sociedade heterossexual. Para Willis, as feministas abolicionistas devolvem ao Estado o poder de regular a representação da sexualidade, concedendo duplo poder a uma instituição ancestral de origem patriarcal. Os resultados perversos do movimento anti-pornografia se puseram de manifesto no Canadá, onde ao aplicarem-se medidas de controle da representação da sexualidade seguindo critérios feministas, os primeiros filmes e publicações censuradas foram as procedentes de sexualidades minoritárias, especialmente as representações lésbicas (pela presença dos dildos) e das lésbicas sadomasoquistas (que a comissão estatal considerava vexatória para as mulheres), enquanto que as representações estereotipadas da mulher no pornô heterossexual não resultaram em censuras.

Frente a este feminismo estatal, o movimento postporno afirma que o Estado não pode proteger-nos da pornografia, antes de tudo, porque a decodificação da representação é sempre um trabalho semiótico aberto, do qual não há o que prevenir-se senão atacar-se com reflexão, discurso crítico e ação política. Willis será a primeira a denominar o feminismo “pro-sexo” a este movimento sociopolítico que faz do corpo e do prazer das mulheres plataformas políticas de resistência ao controle e a normalização da sexualidade. Paralelamente, a prostituta californiana Scarlot Harlot utilizará pela primeira vez a expressão “trabalho sexual” para entender a prostituição, reivindicando a profissionalização e a igualdade de direitos das putas no mercado de trabalho. Pronto, a Willis e Harlot se uniram às prostitutas de São Fransisco (reunidas no movimento COYOTE, criado pela prostituta Margo Saint James), de New York (PONY, Prostitutas de New York, na qual trabalha Annie Sprinkle), assim como ao grupo ativista de luta contra a aids, ACT UP, mas também às ativistas radicais lésbicas e praticantes de sadomasoquismo (Lesbian Avangers, SAMOIS…). Na Espanha e França, a partir dos anos noventa, os movimentos de trabalhadoras sexuais Hetaria (Madri), Cabiria (Lion) e LICIT (Barcelona), na mão de ativistas de fôlego como Cristina Garaizabal, Empar Pineda, Dolores Juliano e Raquel Osborne formaram um bloco europeu pela defesa dos direitos às trabalhadoras sexuais. Em termos de dissidência sexual, nosso equivalente local, efêmero, mas contundente, foram as lésbicas do movimento LSD com base em Madri, que publicam durante os anos noventa uma revista do mesmo nome e em que aparecem, pela primeira vez, representações de pornô lesbiano (não de duas heterossexuais que mostram a língua para excitar os machos, senão de autenticas relações entre lésbicas do bairro de Lavapiés). Entre os continuadores deste movimento na Espanha estariam os grupos artísticos e políticos como Orgia (Valencia) ou Cnus Deleicti (Barcelona), assim como os grupos transexuais e transgênero da Andalucía, Madri e Cataluña.

Estamos aqui de frente a um feminismo lúdico e reflexivo que escapa ao âmbito universitário para encontrar a produção audiovisual, literária ou performativa seus espaços de ação. Através dos filmes de pornô feminista kitsch de Annie Sprinkle, de Bechdel, das fotografias de Del LaGrace Volcano ou de Kael TBlock, dos shows selvagens da banda punk lesbiana Tribe 8, das predicações neogóticas de Lydia Lunch, ou dos pornôs transgênico da ciência-ficção de Shue-Lea Cheang se cria uma estética feminista postporno feita de um tráfico de signos e artefatos culturais e da resignificação crítica de códigos normativos que o feminismo tradicional considerava como impróprios da feminidade. Algumas das referencias deste discurso estético e político são os filmes de terror, literatura gótica, os dildos, os vampiros e os monstros, filmes pornôs, os mangás, as deusas pagãs, os cyborgs, a música punk, a performance em espaço público como útil de intervenção política, o sexo com as maquinas, ícones anarco-femininos como as Riot Girl ou a cantora Peaches, parodias lesbianas da masculinidade como as versões drag king de Scarface ou ídolos transexuais como Brandon Teena e Hans Scheirl, o sexo cru e o gênero cozido.

Este novo feminismo postporno, punk e transcultural, nos ensina que a melhor proteção contra a violência de gênero não é a proibição da prostituição senão a tomada de poder econômico e político pelas mulheres e das minorias migrantes. Do mesmo modo, o melhor antídoto contra a pornografia dominante não é a censura, senão a produção de representações alternativas da sexualidade, feitas desde um olhar divergente do olhar normativo. Assim, o objetivo destes projetos feministas não seria tanto liberar as mulheres ou conseguir sua igualdade legal, mas como desmantelar os dispositivos políticos que produzem as diferenças de classe, de raça, de gênero e de sexualidade fazendo assim do feminismo uma plataforma artística e política de invenção de um futuro comum.

Fuente: http://www.elpais.com/solotexto/articulo.html?xref=20070113elpbabese_1chr(38)type=Tes

Traduzido por: COLETIVO DESTEMIDXS!

MANIFESTO TRANSFEMINISTA!

Posted in Sem categoria on Agosto 22, 2011 by Antonio Henrique

Nova tradução!

Quando mais querem nos ver mortos, mas nos verão vivos. 

Aos poucos reativando o site e espere que mais novidades virão!

MANIFESTO PARA A INSURREIÇÃO TRANSFEMINISTA.

Fazemos um chamamento para a insurreição TransFeminista:

Vimos do feminismo radical, somos as sapatonas, as putas, xs trans, as imigrantes, as negras, as heterodisidentes… Somos a raiva da revolução feminista e queremos mostrar os dentes; sair dos “escritórios” do gênero e das políticas corretas, e que nosso desejo nos guie sendo politicamente incorretas, incomodando, repensando e re-significando nossas mutações. Já não nos vale ser como mulheres. O sujeito do feminismo “mulheres” nos parece pequeno, é excludente por si mesmo, deixa de fora as sapatonas, xs trans, as putas, as de véu, as que ganham pouco e não vão para a universidade, as que gritam, as sem papeis, as maricas…

Dinamitemos o binômio gênero e sexo como prática política. Sigamos o caminho que começamos, “não se nasce mulher, torna-se”, continuemos desmascarando as estruturas de poder, a divisão e hierarquização. Se não aprendemos que a diferença homem X mulher, é uma produção da cultura, semelhante à estrutura hierárquica que nos oprime, reforçaremos a estrutura que nos tiraniza: as fronteiras homem/mulher. Todas as pessoas produzem gênero, produzamos liberdade. Argumentemos com infinitos gêneros…

Chamamos a reinvenção desde o desejos a luta por soberania de nossos corpos frente a qualquer regime totalitário. “Nossos corpos são nossos!, da mesma forma que são seus limites, mutações, cores e transações. Não necessitamos proteção sobre as decisões que tomamos em nossos corpos, transmutamos de gênero, somos o que nos apetece: travestis, lésbicas, superfemmes, butch, putas, trans, levamos véu e falamos wolof; somos rede: manada furiosa.

Chamamos à insurreição, a ocupação das ruas, dos blogs, a desobediencia, a não pedir permissão, a gerar alianças e estruturas próprias: não nos defendamos, façamos com que nos temam! Somos uma realidade, operamos em diferentes cidades e contextos, estamos conectadxs, temos objetivos comuns e já não nos calais. O feminismo será transfronteiriço, transformador, transgênero, ou não será, o feminismo será transfeminista ou não será…

Os Keremos.

Red PutaBolloNegraTransFeminista.

 Medeak, Garaipen, La Acera Del Frente, Itziar Ziga, Lolito Power, Las Chulazas, Diana J. Torres AKA Pornoterrorista, Parole de Queer, Post_op, Las maribolheras precarias, Miguel Misse, Beatriz Preciado, Katalli, MDM, Coletivo TransGaliza, Laura Bugalho, Heroína de lo periférico, EHGAM, NacionScratchs, IdeaDestroyingMuros, Sayak Valencia, TransFusión, Stonewall, Astrid Suess, Alira Araneta Zinkunegi, Juana Ramos, 7menos20, Kim Pérez (Cofundadora de Conjuntos Difusos), d-generadas, lasdel 8 y et al, Beatriz Espejo, Xarxa d’Acció Trans-Intersex de Barcelona, Guerrilla Travolaka, Towanda, Ciclobollos, O.R.G.I.A, Panteras Rosa, Trans Tornados, Bizigay, Pol Galofre, No Te Prives, CGB, Juanita Márkez, Miriam Solà, La Quimera Rosa, Ningún Lugar, Generatech, Sr. y Sñra. Woolman, Marianissima Airlines, As dúas, Oquenossaedacona, Go Fist Foundation, Proyecto Transgénero – Cuerpos Distintos, Derechos Iguales, Patrulla Legal,Transtango, Casa Trans de Quito, Mery Escala Ribas, Alba Pons Rabasa, Confederación Ecuatoriana de Comunidades Trans e Intersex-CONFETRANS, Rodrigo Requena, Lola Clavo, Panaderas Sin Moldes, Señorita Griffin, Impacto Nipón, Las Mozas de KNY, Kabaret Lliure de Mediona, Teresa Matilla, Destemidxs…

retirado de: http://tnt-trans-tornados.blogspot.com/2010/01/manifiesto-transfeminista.html

(adicione seu nome e republique em seu site, blog, facebook, twitter…)

Traduzido por: COLETIVO DESTEMIDXS!

Festival Vulva La Vida

Posted in Sem categoria on Janeiro 4, 2011 by carla vanessa

Verão Salvador 2011: nada do axé, do pagode e da caricatura da mulata pra esquentar janeiro. Mas sim,  um festival de contra cultura feminista organizado no estilo faça você mesma!: Festival Vulva La Vida. O Festival não é uma realização do tipo “politicamente correto”. Também não é um encontro que espera uma revolução futura. Oh, não. Pois a liberdade é agora.

 

Por Túlio Xavier

cartaz do festival, por túlio xavier.

ORGULHOSAMENTE FEMINISTAS, NECESSARIAMENTE INCONVENIENTES.

 


[O mundo. Fatos.]

Posted in Sem categoria on Dezembro 21, 2010 by carla vanessa

Natura demite funcionários em condições debilitadas de saúde

Pelo menos 30 trabalhadores da empresa de cosméticos Natura foram demitidos nos últimos dias. De acordo com o Sindicato dos Químicos Unificados, todos os trabalhadores estavam com a saúde debilitada. A maioria dos funcionários são mulheres e atuavam na unidade de Cajamar, na Grande São Paulo. O dirigente sindical, Paulo Soares Correia, afirma que a empresa reconheceu – por meio do CAT (Comunicado de Acidente de Trabalho) – que as lesões foram adquiridas na linha de produção.

Opiniões.

Posted in Sem categoria on Dezembro 19, 2010 by carla vanessa

Eu sou defensora do pensamento autônomo, da liberdade de opiniões, MAS, existem assuntos, realidades, que o conhecimento prévio, que o diálogo com outrem, é fundamental para emitir até uma mera opinião. Isso não anula, muito obviamente, que se pense por si mesmo, que se emita opiniões originais, não obstante, isso evita um pensamento deslocado do concreto, deslocado da história. Façamos por entender.

No que se refere o feminismo, por exemplo, o que mais se vê são opiniões. Penso que até pelo caráter contestador do movimento, afinal, colocar em cheque uma ordem social e cultural não é pouca coisa! Muita gente se incomoda e aí, dá-lhe opiniões! E geralmente tenho que ouvir: “feminismo é coisa ultrapassada”, “feminismo atualmente não faz sentido algum” e blábláblá. Algumas pessoas ainda tentam legitimar a opinião pelo simples fato de terem vivido em épocas “áureas do movimento feminista”, a exemplo da década de 70 e 80. Vejamos. Estamos em um outro momento histórico. Bem verdade que o feminismo não é mais evidente em grandes movimentos nas ruas [mas, eles existem! sim!], que tem se institucionalizado… porém, há feministas! Há feministas que lutam pela superação da cultura machista, pela igualdade de gênero. E isso por qual motivo? Porque os fatos não podem ser negados: violência contra a mulher, dupla jornada de trabalho, mutilação do corpo feminino pela indústria da beleza…  Se o feminismo pode ser identificado como o combate à opressão das mulheres e à opressão de gênero, o movimento sequer deve deixar de existir. Lembremos que a própria opressão é histórica, ela vai se modificando, se adaptando – longe de querer sustentar um status de vitimização, trata-se de desvelar os fatos.  E o feminismo assume formas históricas!

Então, hoje li um texto que me alegrou deveras. O texto fala, de um modo geral, das opiniões emitidas sobre o feminismo. Das meras opiniões dos homens sobre o movimento. E, lembremos, opinião sem conhecimento = preconceito. Pois. Achei fantástico o texto e condiz bastante com o que penso. Depois, o texto fora escrito por um professor, Idelber Avelar que, apesar de não ser ativista simpático ao movimento [pelo menos não parece] sabe fazer da sua opinião sobre o feminismo uma opinião inteligente.

Coloco abaixo o texto na íntegra.

A busca incansável por um feminismo dócil, ou, não é de você que devemos falar

Uma das coisas que aprendi sendo amigo e interlocutor de Mary W é que a própria resistência (entendida em sentido freudiano) ao feminismo é um fenômeno sociologicamente interessante, um dado a se estudar, um caso, diria a Mary, com sua sintaxe e seu uso do negrito inconfundíveis. Essa sacada dela coincide com algo que eu lhe disse certa vez durante um chope: quando homens emitem “opiniões” sobre o feminismo, elas não costumam vir embasadas em bibliografia ou sequer em escuta da experiência das mulheres narrada por elas próprias. Arma-se alguma capenga simetria entre machismo e feminismo, decreta-se que “as” feministas são isso ou aquilo e encerra-se o assunto sob viseiras, em geral acompanhado de algum choramingo contra “elas”, que são “radicais” ou “patrulheiras” (confesso que “barraqueira” eu ouvi pela primeira vez esta semana), sem que nenhum esforço tenha sido despendido na escuta do outro, neste caso na escuta da outra. Note-se, por favor (já que malentendido, teu nome é Internet), que não me refiro a uma opinião sobre tal ou qual leitura feminista de tal ou qual texto de Clarice Lispector, mas às emissões de “opinião” sobre o que “é” o feminismo. Essas, invariavelmente, são um desastre.

Essa prática sempre me pareceu espantosa, porque ninguém, nem mesmo um daqueles jornalistas mais caras-de-pau de MOSCOU, se arriscaria a ter “opinião” sobre, digamos, fenomenologia ou hermenêutica sem antes equipar-se minimamente para tanto. Todavia, sobre o feminismo, uma constelação de pensamentos, escritas e práticas políticas das mulheres não menos complexa, multifacetada, ampla e profunda que aquelas duas escolas, e sem dúvida mais influente que ambas, os homens, em geral, e com visível desconforto e pressa, acham que podem ter “opinião”, passar juízo, assim, sem mais nem menos, sem sequer dar um checada nas estatísticas de violência doméstica, estupro ou diferença salarial entre homens e mulheres ou ouvir uma feminista. Não falemos de ler alguma coisa de bibliografia, uma Beauvoir ou Muraro básica que seja. Acreditam sincera e piamente que essa sua atitude não tem nada a ver com o machismo.

Quando esses homens são confrontados por uma feminista, seja em sua ignorância, seja em sua cumplicidade com uma ordem de coisas opressora para as mulheres, armam um chororô de mastodônticas proporções, pobres coitados, tão patrulhados que são. Todos aqueles olhos roxos, discriminações, assédios sexuais, assassinatos, estupros, incluindo-se estupros “corretivos” de lésbicas (via Vange), objetificações para o prazer único do outro, estereotipia na mídia, jornadas duplas de trabalho, espancamentos domésticos? Que nada! Sofrimento mesmo é o de macho “patrulhado” ou “linchado” por feministas! A coisa chega a ser cômica, de tão constrangedora.

Desfila-se todo o rosário dos melhores momentos do sexista: como posso ser machista se tenho mãe, mulher e filha, como posso ser machista se quem passa minhas roupas é uma mulher, como posso ser machista se de vez em quando ‘divido’ o serviço doméstico com ela, como podem considerar o feminismo um elogio se o machismo é um insulto, por que as feministas ficam nos dividindo, por que as feministas ficam sendo radicais demais e a longa lista de etecéteras bem conhecida das mulheres que têm um histórico de discussão do tema. Os caras sequer são capazes de renovar os emblemas frasais de sua ignorância.

Foi o caso, nestes últimos dias, de alguns dos blogueiros autoidentificados, a partir de um encontro recente em São Paulo, como “progressistas” (não está muito claro de onde vem nem para onde vai esse “progresso” nem em que consiste o “progredir”, mas é evidente que sou ferrenho defensor da primazia da autoidentificação: que cada um se chame como gosta, contanto que me incluam fora desta; este é um blog de esquerda). O progressismo blogueiro é visivelmente masculinista, e que ele reaja com tão ruidosa choradeira ao mero aflorar de uma crítica feminista é só mais uma óbvia confirmação do fato.

O acontecido já foi relatado por Cynthia SemíramisLola Aronovich, e só me interessa aqui como sintomatologia do blogueiro progressista que faltou à aula em que o feminismo explicava em detalhe como o pessoal está imbricado com o político, como a apropriação e a simultânea desqualificação do trabalho das mulheres têm sido componentes históricos de uma hierarquia de gêneros que se impõe com tremenda brutalidade. O blogueiro progressista provavelmente nem notou que o Jornal Nacional mais uma vez se permitiu comentários sobre a aparência de Dilma que jamais se permitiria sequer sobre Lula. Mas a Marjorie Rodrigues notou.

Uma das características do masculinismo progressista é sua tremenda dificuldade em entender a lição de Ana que, escrita num contexto de discussão do racismo, também se aplica aqui: não é sobre você que devemos falar. Não é sobre seu umbiguismo, não é sobre seu desconforto, não é sobre a sua necessidade de que as feministas sejam dóceis (ou não “divisionistas”) o suficiente para que possam carimbar e avalizar o seu tranquilizador atestado de boa consciência. Pra isso o Biscoito Fino e a Massa recomenda outra coisa: psicanálise freudiana. No Brasil de Lula e Dilma, já não é coisa tão cara, pelo menos para a maioria dos que leem esta bodega.

O progressismo blogueiro refletiu pouco, me parece, sobre como até suas referências a si próprio estão encharcadas de sexismo. O encontro progressista em São Paulo (que contou com interlocutores e amigos meus, que foi uma bela iniciativa à qual fui convidado, e a cuja continuação eu desejo sucesso) foi, em várias ocasiões, apresentado por seus principais protagonistas, quase todos homens, como “o” encontro de blogueiros, “o primeiro encontro” nacional, “a primeira grande” reunião.

Ora, o que isso tem a ver com o sexismo?

O progressismo blogueiro formado por homens jornalistas oriundos da grande mídia ou pautados por ela desconhece tanto a história de blogolândia que, como diria Macedonio Fernández, se a desconhecesse um pouquinho mais, já não caberia nada. Isso não seria problema se ele não tivesse a pretensão de falar em nome de uma totalidade “progressista”. A primeira pessoa levada a um portal por seu trabalho em blogs foi uma mulher, Daniela Abade. A primeira vez que em um livro foi vendido via blogs aconteceu também num blog feminino, o Udigrudi. Talvez a mais massiva troca de experiências e formação de comunidade num livro de visitas de blog ocorreu pelo trabalho de duas mulheres feministas. Refiro-me ao Mothern de Laura Guimarães e Juliana Sampaio, que também representou a primeira vez em que um blog virou série de televisão. A mais longeva comunidade blogueira em atividade na rede provalvemente é a do imperdível Drops da FalCynthia Semíramis, a feminista cujo texto-resposta foi recusado no espaço que transformou “feminazi” em post, tem mais história na rede que qualquer das lideranças masculino-jornalístico-progressistas (é coautora, por exemplo, de umtexto clássico sobre a questão jurídica na internet). De Marina W aCláudia LettiMeg Guimarães, há uma história de pioneirismo de mulheres em blogolândia que se deveria conhecer com mais interesse e humildade, se é que a palavra “progressista” vai preservar ainda um farrapo de relação com alguma experiência que possa ser chamada de emancipatória.

Confesso que sinto um pouco de vergonha alheia quando vejo blogueiros progressistas referindo-se ao seu (notadamente importante, sublinhe-se) encontro como “o” encontro de blogueiros ou como “a primeira” reunião ou a si próprios como “os” progressistas. Tudo isso enquanto ignoram completamente a história que lhes precede, na qual o protagonismo feminino é indiscutível. Na história que lhes é contemporânea, o protagonismo feminino não é nada desprezível tampouco, mas também a ignoram.

O jornalismo masculino progressista não apenas desconhece essa história. Ele não parece interessado em conhecê-la, não suspeita que familiaridade com ela problematizaria alguns elementos de sua prática. Fazendo tantas referências adâmicas a si próprio, contribui para a invisibilização e o silenciamento da história de blogolândia construída pelas mulheres. Daquele jeito convicto bem próprio dos ignorantes em denegação, o blogueiro jornalista-progressista jura que isso que não tem nada a ver com o machismo. Provavelmente ele não também não se perguntou se essa invisibilização terá algo a ver com vícios oriundos de 100 anos de um modelo em que jornalistas, quase sempre homens, falavam, na maioria das vezes sobre assuntos que domina(va)m assombrosamente mal, e leitores e leitoras recebiam calados.

Caso o jornalismo blogueiro masculino progressista tenha inteligência, humildade e decência, escolherá escutar o que sobre o feminismo disseram as próprias feministas. A bibliografia não é exatamente pequena. Sempre se pode começar com O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, passar à Mística Feminina, de Betty Friedan, chegar a Problemas de Gênero [pdf], de Judith Butler, escolhendo, no caminho, mil outras veredas possíveis. Pessoalmente, sou fã da polêmica que se dá entre as feministas materialistas britânicas, em que uma teoria mais funcionalista das relações entre opressão de classe e opressão de gênero se enfrenta com uma teoria entitulada “sistemas duais”, que argumentava pela independência relativa entre capitalismo e patriarcado (embate sociológico dos bons, nos quais nunca, claro, se fixa uma conclusão, mas durante os quais se exploram hipóteses interessantes). Essa polêmica está apresentada num livro de Michelle Berrett, intitulado Women’s Oppression Today, que seria uma ótima pedida traduzir. De Patrícia GalvãoRose Marie Muraro, é possível informar-se, um pouquinho que seja, sobre a história no Brasil.

Ninguém é obrigado a ser inteligente o tempo todo, mas quando se trata deaprender a escutar, humildade e decência costumam ser as duas qualidades mais importantes da trinca.


 

Liberdade Animal

Posted in Sem categoria on Outubro 29, 2010 by carla vanessa

Pois bem, sou ovo-lacto-vegetariana e terminantemente contra qualquer tipo de tortura com animais. Depois, não consigo conceber o porque dos chamados animais irracionais serem reduzidos a meios para fins humanos. Me considero como pro-libertação animal.

Em determinados fóruns da internet, que discutem vegetarianismo e veganismo, tem sido bem recorrente a ideia de que é inconcebível falar em liberdade animal tendo em vista que liberdade se refere unicamente ao ser humano, animal racional e capaz de escolher, capaz de “superar” sua condição natural e que, em contrapartida, os animais irracionais, por assim serem, estão entregues ao instinto, às leis da natureza. Mas, é abdicando da classificação baseada na posse/não da racionalidade  – classificação que nada mais é do que uma construção humana – que proponho a leitura do artigo Senciência Animal. [1]

 


 


[1]
existem inúmeros textos sobre senciência, afora escritos cientifico-filosóficos de Carol Adams, Jeremy Bentham, Peter Singer, Tom Regan e Richard Ryder. No entanto, a autora deste artigo traz contra-argumentos fantásticos ao discurso científico.