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		<title>Convocatória Vulva la Vida 2012</title>
		<link>http://destemidxs.wordpress.com/2011/09/02/convocatoria-vulva-la-vida-2012/</link>
		<comments>http://destemidxs.wordpress.com/2011/09/02/convocatoria-vulva-la-vida-2012/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 02 Sep 2011 00:54:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Henrique</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[(AJUDEM A DIVULGAR, REPASSEM PARA TUDO QUE É LISTA E AMIGOS) CONVOCATÓRIA VULVA LA VIDA 2012 No dia 28 de Setembro de 2011, o Coletivo Vulva la Vida lança sua convocatória, no mesmo dia em que milhares de mulheres no Brasil estão numa sinergia pelo Dia de Luta pela Descriminalização do Aborto. É na inspiração [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=destemidxs.wordpress.com&amp;blog=8282026&amp;post=600&amp;subd=destemidxs&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;">(AJUDEM A DIVULGAR, REPASSEM PARA TUDO QUE É LISTA E AMIGOS)</p>
<p style="text-align:center;"><strong>CONVOCATÓRIA VULVA LA VIDA 2012</strong></p>
<p style="text-align:justify;">No dia 28 de Setembro de 2011, o Coletivo Vulva la Vida lança sua convocatória, no mesmo dia em que milhares de mulheres no Brasil estão numa sinergia pelo Dia de Luta pela Descriminalização do Aborto. É na inspiração dessa energia, dessa vontade de decidir sobre nossas vidas, que abrimos nossa segunda edição da Convocatória com o lançamento do documentário <strong>“Vulva la vida, vida lá vou eu”</strong>, fruto de toda provocação feminista gerada na primeira edição do Festival Vulva la Vida. O documentário resgata a experiência da primeira edição do Festival que aconteceu em Salvador (BA), entre 19 e 23 de janeiro de 2011 e abarcou shows, oficinas, e debates voltados para a construção de valores e práticas anti-sexistas e o fortalecimento da solidariedade feminista. O vídeo conta com falas de organizadoras e participantes do festival, que compartilham suas leituras sobre o evento, enfatizando desde o processo de construção do Vulva la Vida, até avaliações sobre a repercussão do mesmo, que de forma autônoma e idependente conseguiu atrair mulheres de diversos contextos, tanto da Bahia quanto de outros estados.</p>
<p style="text-align:justify;">Não é a toa que o entusiamos e a união fez constituir o Coletivo Vulva La Vida, que agora chama mulheres/garotas interessadas em participar na construção autônoma e faça-você-mesma de uma festança contracultural feminista que será a segunda edição do Festival, marcado para Janeiro do ano que vem. A proposta do coletivo é agregar diversão à politica, baseando-se na cultura Riot Grrrl, resgatando o espirito rebelde para o feminismo. Estará aberta a convocatória,<strong> entre os dias 28 de setembro à 28 de outubro</strong>. Sendo assim, envie suas sugestões para o e-mail <a href="mailto:festivalvulvalavida@gmail.com">vulvalavida@gmail.com</a> para: ministrar oficinas, facilitar discussões, socializar debates, criações, danças, artes, músicas, etc. <strong>É só chegar, tem espaço para tudo isso e muito mais. Participe e divulgue!<br />
</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Nos encontramos, no lançamento do “Vulva la vida, vida lá vou eu”</p>
<p>Local: Sala Alexandre Robatto – Biblioteca dos Barris (Salvador/BA)</p>
<p>Data: 28/09/2011 (quarta-feira)</p>
<p>Horário: 19h<br />
</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://destemidxs.wordpress.com/2011/09/02/convocatoria-vulva-la-vida-2012/"><img src="http://img.youtube.com/vi/ikP6GhqL0lw/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-size:medium;"><strong><em><br />
</em></strong></span></p>
<p>E confira as datas de lançamento em outros estados: <em> </em><em><a href="http://www.festivalvulvalavida.wordpress.com/" target="_blank">www.festivalvulvalavida.wordpress.com</a></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Coletivo Vulva la Vida</p>
<p>ORGULHOSAMENTE FEMINISTAS, NECESSARIAMENTE INCONVENIENTES</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/destemidxs.wordpress.com/600/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/destemidxs.wordpress.com/600/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/destemidxs.wordpress.com/600/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/destemidxs.wordpress.com/600/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/destemidxs.wordpress.com/600/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/destemidxs.wordpress.com/600/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/destemidxs.wordpress.com/600/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/destemidxs.wordpress.com/600/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/destemidxs.wordpress.com/600/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/destemidxs.wordpress.com/600/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/destemidxs.wordpress.com/600/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/destemidxs.wordpress.com/600/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/destemidxs.wordpress.com/600/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/destemidxs.wordpress.com/600/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=destemidxs.wordpress.com&amp;blog=8282026&amp;post=600&amp;subd=destemidxs&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Antonio Henrique</media:title>
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		<title>[Tradução] Depois do Feminismo &#8211; Beatriz Preciado</title>
		<link>http://destemidxs.wordpress.com/2011/08/25/traducao-depois-do-feminismo-beatriz-preciado/</link>
		<comments>http://destemidxs.wordpress.com/2011/08/25/traducao-depois-do-feminismo-beatriz-preciado/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 16:05:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Henrique</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Como foi prometido, aqui vai mais uma nova tradução. Qualquer erro que vocês perceberem no texto, podem comentar e vamos tentar consertar, arrumar. Espalhem, divulgem, linken, re-linken e vamos que vamos. E o principal: COMENTEM! (vamos conversar, meu povo) A proxima tradução a ser postada será: Museo,basura urbana y pornografía &#8211; Beatriz Preciado. DEPOIS DO [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=destemidxs.wordpress.com&amp;blog=8282026&amp;post=595&amp;subd=destemidxs&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#ff0000;">Como foi prometido, aqui vai mais uma nova tradução. Qualquer erro que vocês perceberem no texto, podem comentar e vamos tentar consertar, arrumar.<br />
</span></p>
<p><span style="color:#ff0000;">Espalhem, divulgem, linken, re-linken e vamos que vamos. E o principal: COMENTEM! (vamos conversar, meu povo)</span></p>
<p><span style="color:#ff0000;">A proxima tradução a ser postada será: Museo,basura urbana y pornografía &#8211; Beatriz Preciado.</span></p>
<p><a href="http://destemidxs.files.wordpress.com/2011/08/beatr.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-597" title="beatr" src="http://destemidxs.files.wordpress.com/2011/08/beatr.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p style="text-align:center;">DEPOIS DO FEMINISMO &#8211; MULHERES NAS MARGENS.</p>
<p style="text-align:center;">Beatriz Preciado</p>
<p style="text-align:justify;">Nos últimos anos surgiram uma série de autoras que sustentam que o objetivo do novo feminismo deve ir mais além de conseguir a igualdade legal da mulher branca, ocidental, heterossexual e de classe média. Para elas se trata de atender as mulheres tradicionalmente deixadas na margem e de combater as causas que produzem as diferenças de classe, raça e gênero. Enquanto a retórica da violência de gênero infiltra os meios de comunicação nos convidando a seguir imaginando o feminismo como um discurso político articulado em torno da posição dialética entre os homens (do lado da dominação) e as mulheres (do lado das vítimas), o feminismo contemporâneo que, sem dúvida, uniu os domínios teóricos e práticos submetidos à maior transformação e crítica reflexiva desde os anos setenta, não deixa de inventar imaginários políticos e de criar estratégias de ação que põem em questão aquilo que parece mais óbvio: que o sujeito político do feminismo seja as mulheres, as mulheres entendidas como uma realidade biológica pré-definida, e , sobretudo as mulheres enquanto brancas, heterossexuais, submissas e de classe média. Emergem deste questionamento novos feminismos de multidões, feminismos para os monstros, projetos de transformação coletiva para o século XXI.</p>
<p style="text-align:justify;">Estes feminismos dissidentes se fazem visíveis a partir dos anos oitenta quando, em sucessivas ondas críticas, os sujeitos excluídos pelo feminismo conservador começam a criticar os processos de purificação e da repressão de seus projetos revolucionários, processos que objetivavam um feminismo cinza, normativo e puritano que vê nas diferenças culturais, sexuais ou políticas, ameaças a seu ideal heterossexual e eurocêntrico de mulher. Trata-se do que poderíamos chamar, com a lúcida expressão de Virginie Despentes, do despertar crítico do &#8220;proletariado do feminismo&#8221;, cujos maus sujeitos são as putas, as lésbicas, as estupradas, as mulheres-machos, os e as transexuais, as mulheres que não são brancas, as mulçumanas&#8230; em definitivo, quase todos nós.</p>
<p style="text-align:justify;">Esta transformação do feminismo se levou a cabo através de sucessivos des-centramentos do sujeito mulher que de maneira transversal e simultânea questionaram o caráter natural e universal da condição feminina. Os primeiros destes deslocamentos vieram das mãos de teóricos gays e teóricas lésbicas como Michel Foucault, Monique Wittig, Michael Warner ou Adrienne Rich, que definiram a heterossexualidade como um regime político e um dispositivo de controle que produz a diferença entre os homens e as mulheres, e transforma a resistência à normalização em patologia. Judith Butler e Judith Halberstam insistiram nos processos de significação cultural e de estilização do corpo através das quais se normalizam as diferenças entre os gêneros, enquanto Donna Haraway e Anne Fausto-Sterling colocaram em questão a existência dos sexos como realidades biológicas independentemente dos processos científico-técnicos de construção da representação. Por outra parte, junto com os processos de emancipação dos negros nos Estados Unidos e da descolonização do chamado Terceiro Mundo, Gloria Anzaldua e Gayatri Spivak fizeram visíveis os projetos do feminismo negro, pós-colonial, mulçumano ou da diáspora que obrigará a pensar o gênero em sua relação constitutiva com as diferenças geopolíticas de raça, de classe, de migração e de tráfico humano.</p>
<p style="text-align:justify;">Um dos deslocamentos mais produtivos surgira precisamente daqueles âmbitos que se haviam pensando até agora como o submundo da vitimização feminina e dos quais o feminismo não esperava ou não queria esperar um discurso crítico. Tratam-se das trabalhadoras sexuais, as atrizes pornôs e os insubmissos sexuais. Boa parte deste movimento se estrutura discursiva e politicamente em torno dos debates do feminismo contra a pornografia que começa nos Estados Unidos nos anos oitenta e que se conhece com o nome de &#8220;guerras feministas do sexo&#8221;. Catharine Mackinnon e Andrea Dworkin, porta-vozes de um feminismo anti-sexo, vão utilizar a pornografia como modelo para explicar a opressão política e sexual das mulheres. Sob o slogan de Robin Morgan &#8220;a pornografia é a teoria, a violação a prática&#8221;, condenam a representação da sexualidade feminina levada a cabo pelos meios de comunicação como uma forma de promoção da violência de gênero, da submissão sexual e política das mulheres e advogam pela abolição total da pornografia e da prostituição. Em 1981, Ellen Willis, uma das pioneiras da crítica feminista de rock nos Estados Unidos, será a primeira a intervir neste debate para criticar as cumplicidades do feminismo abolicionista com as estruturas patriarcais que reprimem e controlam o corpo das mulheres na sociedade heterossexual. Para Willis, as feministas abolicionistas devolvem ao Estado o poder de regular a representação da sexualidade, concedendo duplo poder a uma instituição ancestral de origem patriarcal. Os resultados perversos do movimento anti-pornografia se puseram de manifesto no Canadá, onde ao aplicarem-se medidas de controle da representação da sexualidade seguindo critérios feministas, os primeiros filmes e publicações censuradas foram as procedentes de sexualidades minoritárias, especialmente as representações lésbicas (pela presença dos dildos) e das lésbicas sadomasoquistas (que a comissão estatal considerava vexatória para as mulheres), enquanto que as representações estereotipadas da mulher no pornô heterossexual não resultaram em censuras.</p>
<p style="text-align:justify;">Frente a este feminismo estatal, o movimento postporno afirma que o Estado não pode proteger-nos da pornografia, antes de tudo, porque a decodificação da representação é sempre um trabalho semiótico aberto, do qual não há o que prevenir-se senão atacar-se com reflexão, discurso crítico e ação política. Willis será a primeira a denominar o feminismo &#8220;pro-sexo&#8221; a este movimento sociopolítico que faz do corpo e do prazer das mulheres plataformas políticas de resistência ao controle e a normalização da sexualidade. Paralelamente, a prostituta californiana Scarlot Harlot utilizará pela primeira vez a expressão &#8220;trabalho sexual&#8221; para entender a prostituição, reivindicando a profissionalização e a igualdade de direitos das putas no mercado de trabalho. Pronto, a Willis e Harlot se uniram às prostitutas de São Fransisco (reunidas no movimento COYOTE, criado pela prostituta Margo Saint James), de New York (PONY, Prostitutas de New York, na qual trabalha Annie Sprinkle), assim como ao grupo ativista de luta contra a aids, ACT UP, mas também às ativistas radicais lésbicas e praticantes de sadomasoquismo (Lesbian Avangers, SAMOIS&#8230;). Na Espanha e França, a partir dos anos noventa, os movimentos de trabalhadoras sexuais Hetaria (Madri), Cabiria (Lion) e LICIT (Barcelona), na mão de ativistas de fôlego como Cristina Garaizabal, Empar Pineda, Dolores Juliano e Raquel Osborne formaram um bloco europeu pela defesa dos direitos às trabalhadoras sexuais. Em termos de dissidência sexual, nosso equivalente local, efêmero, mas contundente, foram as lésbicas do movimento LSD com base em Madri, que publicam durante os anos noventa uma revista do mesmo nome e em que aparecem, pela primeira vez, representações de pornô lesbiano (não de duas heterossexuais que mostram a língua para excitar os machos, senão de autenticas relações entre lésbicas do bairro de Lavapiés). Entre os continuadores deste movimento na Espanha estariam os grupos artísticos e políticos como Orgia (Valencia) ou Cnus Deleicti (Barcelona), assim como os grupos transexuais e transgênero da Andalucía, Madri e Cataluña.</p>
<p style="text-align:justify;">Estamos aqui de frente a um feminismo lúdico e reflexivo que escapa ao âmbito universitário para encontrar a produção audiovisual, literária ou performativa seus espaços de ação. Através dos filmes de pornô feminista kitsch de Annie Sprinkle, de Bechdel, das fotografias de Del LaGrace Volcano ou de Kael TBlock, dos shows selvagens da banda punk lesbiana Tribe 8, das predicações neogóticas de Lydia Lunch, ou dos pornôs transgênico da ciência-ficção de Shue-Lea Cheang se cria uma estética feminista postporno feita de um tráfico de signos e artefatos culturais e da resignificação crítica de códigos normativos que o feminismo tradicional considerava como impróprios da feminidade. Algumas das referencias deste discurso estético e político são os filmes de terror, literatura gótica, os dildos, os vampiros e os monstros, filmes pornôs, os mangás, as deusas pagãs, os cyborgs, a música punk, a performance em espaço público como útil de intervenção política, o sexo com as maquinas, ícones anarco-femininos como as Riot Girl ou a cantora Peaches, parodias lesbianas da masculinidade como as versões drag king de Scarface ou ídolos transexuais como Brandon Teena e Hans Scheirl, o sexo cru e o gênero cozido.</p>
<p style="text-align:justify;">Este novo feminismo postporno, punk e transcultural, nos ensina que a melhor proteção contra a violência de gênero não é a proibição da prostituição senão a tomada de poder econômico e político pelas mulheres e das minorias migrantes. Do mesmo modo, o melhor antídoto contra a pornografia dominante não é a censura, senão a produção de representações alternativas da sexualidade, feitas desde um olhar divergente do olhar normativo. Assim, o objetivo destes projetos feministas não seria tanto liberar as mulheres ou conseguir sua igualdade legal, mas como desmantelar os dispositivos políticos que produzem as diferenças de classe, de raça, de gênero e de sexualidade fazendo assim do feminismo uma plataforma artística e política de invenção de um futuro comum.</p>
<p>Fuente: <a href="http://www.elpais.com/solotexto/articulo.html?xref=20070113elpbabese_1chr(38)type=Tes">http://www.elpais.com/solotexto/articulo.html?xref=20070113elpbabese_1chr(38)type=Tes</a></p>
<p>Traduzido por: COLETIVO DESTEMIDXS!</p>
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		<item>
		<title>MANIFESTO TRANSFEMINISTA!</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Aug 2011 21:48:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Henrique</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Nova tradução! Quando mais querem nos ver mortos, mas nos verão vivos.  Aos poucos reativando o site e espere que mais novidades virão! MANIFESTO PARA A INSURREIÇÃO TRANSFEMINISTA. Fazemos um chamamento para a insurreição TransFeminista: Vimos do feminismo radical, somos as sapatonas, as putas, xs trans, as imigrantes, as negras, as heterodisidentes&#8230; Somos a raiva [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=destemidxs.wordpress.com&amp;blog=8282026&amp;post=583&amp;subd=destemidxs&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ff0000;">Nova tradução!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ff0000;">Quando mais querem nos ver mortos, mas nos verão vivos.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ff0000;">Aos poucos reativando o site e espere que mais novidades virão!</span></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><a href="http://destemidxs.files.wordpress.com/2011/08/sem-tc3adtulo.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-592" title="Sem título" src="http://destemidxs.files.wordpress.com/2011/08/sem-tc3adtulo.jpg?w=167&#038;h=300" alt="" width="167" height="300" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">MANIFESTO PARA A INSURREIÇÃO TRANSFEMINISTA.</p>
<p style="text-align:justify;">Fazemos um chamamento para a insurreição TransFeminista:</p>
<p style="text-align:justify;">Vimos do feminismo radical, somos as sapatonas, as putas, xs trans, as imigrantes, as negras, as heterodisidentes&#8230; Somos a raiva da revolução feminista e queremos mostrar os dentes; sair dos &#8220;escritórios&#8221; do gênero e das políticas corretas, e que nosso desejo nos guie sendo politicamente incorretas, incomodando, repensando e re-significando nossas mutações. Já não nos vale ser como mulheres. O sujeito do feminismo &#8220;mulheres&#8221; nos parece pequeno, é excludente por si mesmo, deixa de fora as sapatonas, xs trans, as putas, as de véu, as que ganham pouco e não vão para a universidade, as que gritam, as sem papeis, as maricas&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Dinamitemos o binômio gênero e sexo como prática política. Sigamos o caminho que começamos, &#8220;não se nasce mulher, torna-se&#8221;, continuemos desmascarando as estruturas de poder, a divisão e hierarquização. Se não aprendemos que a diferença homem X mulher, é uma produção da cultura, semelhante à estrutura hierárquica que nos oprime, reforçaremos a estrutura que nos tiraniza: as fronteiras homem/mulher. Todas as pessoas produzem gênero, produzamos liberdade. Argumentemos com infinitos gêneros&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Chamamos a reinvenção desde o desejos a luta por soberania de nossos corpos frente a qualquer regime totalitário. “Nossos corpos são nossos!<em>”</em>, da mesma forma que são seus limites, mutações, cores e transações. Não necessitamos proteção sobre as decisões que tomamos em nossos corpos, transmutamos de gênero, somos o que nos apetece: travestis, lésbicas, superfemmes, butch, putas, trans, levamos véu e falamos wolof; somos rede: manada furiosa.</p>
<p style="text-align:justify;">Chamamos à insurreição, a ocupação das ruas, dos blogs, a desobediencia, a não pedir permissão, a gerar alianças e estruturas próprias: não nos defendamos, façamos com que nos temam! Somos uma realidade, operamos em diferentes cidades e contextos, estamos conectadxs, temos objetivos comuns e já não nos calais. O feminismo será transfronteiriço, transformador, transgênero, ou não será, o feminismo será transfeminista ou não será&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Os Keremos.</p>
<p style="text-align:justify;">Red PutaBolloNegraTransFeminista.</p>
<p style="text-align:justify;"> Medeak, Garaipen, La Acera Del Frente, Itziar Ziga, Lolito Power, Las Chulazas, Diana J. Torres AKA Pornoterrorista, Parole de Queer, Post_op, Las maribolheras precarias, Miguel Misse, Beatriz Preciado, Katalli, MDM, Coletivo TransGaliza, Laura Bugalho, Heroína de lo periférico, EHGAM, NacionScratchs, IdeaDestroyingMuros, Sayak Valencia, TransFusión, Stonewall, Astrid Suess, Alira Araneta Zinkunegi, Juana Ramos, 7menos20, Kim Pérez (Cofundadora de Conjuntos Difusos), d-generadas, lasdel 8 y et al, Beatriz Espejo, Xarxa d&#8217;Acció Trans-Intersex de Barcelona, Guerrilla Travolaka, Towanda, Ciclobollos, O.R.G.I.A, Panteras Rosa, Trans Tornados, Bizigay, Pol Galofre, No Te Prives, CGB, Juanita Márkez, Miriam Solà, La Quimera Rosa, Ningún Lugar, Generatech, Sr. y Sñra. Woolman, Marianissima Airlines, As dúas, Oquenossaedacona, Go Fist Foundation, Proyecto Transgénero &#8211; Cuerpos Distintos, Derechos Iguales, Patrulla Legal,Transtango, Casa Trans de Quito, Mery Escala Ribas, Alba Pons Rabasa, Confederación Ecuatoriana de Comunidades Trans e Intersex-CONFETRANS, Rodrigo Requena, Lola Clavo, Panaderas Sin Moldes, Señorita Griffin, Impacto Nipón, Las Mozas de KNY, Kabaret Lliure de Mediona, Teresa Matilla, Destemidxs&#8230;</p>
<p style="text-align:left;">retirado de: <a href="http://tnt-trans-tornados.blogspot.com/2010/01/manifiesto-transfeminista.html">http://tnt-trans-tornados.blogspot.com/2010/01/manifiesto-transfeminista.html</a></p>
<p style="text-align:justify;">(adicione seu nome e republique em seu site, blog, facebook, twitter&#8230;)</p>
<p style="text-align:justify;">Traduzido por: COLETIVO DESTEMIDXS!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/destemidxs.wordpress.com/583/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/destemidxs.wordpress.com/583/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/destemidxs.wordpress.com/583/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/destemidxs.wordpress.com/583/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/destemidxs.wordpress.com/583/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/destemidxs.wordpress.com/583/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/destemidxs.wordpress.com/583/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/destemidxs.wordpress.com/583/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/destemidxs.wordpress.com/583/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/destemidxs.wordpress.com/583/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/destemidxs.wordpress.com/583/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/destemidxs.wordpress.com/583/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/destemidxs.wordpress.com/583/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/destemidxs.wordpress.com/583/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=destemidxs.wordpress.com&amp;blog=8282026&amp;post=583&amp;subd=destemidxs&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Antonio Henrique</media:title>
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			<media:title type="html">Sem título</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>A Crítica à oposição entre política e religião em Karl Marx [1]</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Aug 2011 19:36:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carla vanessa</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[No clima da eleição presidencial brasileira de 2010, participamos de um fervoroso debate sobre a relação entre política e religião. O debate se deu a partir do momento em que o fenômeno do aborto passou a ser pauta de campanha dentro de um campo de discussão religiosa e não enquanto uma questão de saúde pública. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=destemidxs.wordpress.com&amp;blog=8282026&amp;post=570&amp;subd=destemidxs&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://destemidxs.files.wordpress.com/2011/08/dilma-e-serra-.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-571" title="presidenciáveis 2010" src="http://destemidxs.files.wordpress.com/2011/08/zoom-dilma-e-serra-430.jpg?w=300&#038;h=180" alt="" width="300" height="180" /></a>No clima da eleição presidencial brasileira de 2010, participamos de um fervoroso debate sobre a<em> relação entre política e religião</em>. O debate se deu a partir do momento em que o fenômeno do aborto passou a ser pauta de campanha dentro de um campo de discussão religiosa e não enquanto uma questão de saúde pública. Havia um certo consenso por parte de setores progressistas de que se tratando de uma disputa política o tom religioso na abordagem de problemas estruturais era, em suma, uma leviandade, tendo em vista que o Estado é laico, ou seja, neutro em relação às questões religiosas.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas, por que mesmo o Estado sendo laico ele ainda está imiscuído em questões religiosas? Seria de fato o Estado laico e a nossa sociedade secular? A tese é de que apenas o Estado laico pode tratar os problemas públicos com seriedade porque emancipado politicamente, porque não mais sob a tutela religiosa. Mas, seria de fato, o Estado, laico?</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://destemidxs.files.wordpress.com/2011/08/laicidade.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-572" title="laicidade?" src="http://destemidxs.files.wordpress.com/2011/08/laicidade31.jpg?w=300&#038;h=220" alt="" width="300" height="220" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">O filósofo Karl Marx, que viveu no século XIX, ao analisar <em>A Questão Judaica</em> discutida por Bruno Bauer filósofo contemporâneo a ele, promoverá uma crítica alternativa à <em>dualidade política versus religião</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">A <em>Questão Judaica</em> é colocada por Bauer a partir da constatação de que os judeus alemães buscam a emancipação politica, civil, ante o Estado alemão do século XIX. Bauer apresenta objeções em relação à emancipação civil pretendida pelos judeus. Uma delas é de que o Estado alemão é cristão, portanto, não sendo político, não pode emancipar seus cidadãos. Para Bauer a emancipação politica corresponde à emancipação humana e está apoiada na racionalidade do Estado em oposição à alienação religiosa.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://destemidxs.files.wordpress.com/2011/08/revolucao-francesa-1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-573" title="revolucao-francesa" src="http://destemidxs.files.wordpress.com/2011/08/revolucao-francesa-1.jpg?w=300&#038;h=247" alt="" width="300" height="247" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Bauer compreende que criticar a alienação religiosa que impede a emancipação do homem é concluir a necessidade de abolição da religião.</p>
<p style="text-align:justify;">Marx ao analisar tal crítica, observa que a tese colocada por Bauer não se limita ao caso especifico dos judeus alemães. Tal crítica, para Marx, possui um significado geral que pode ser sintetizado na oposição entre religião e política.</p>
<p style="text-align:justify;">No entanto, para Marx, Bauer enganou-se ao criticar apenas <em>o</em> <em>Estado cristão</em> e não <em>o Estado enquanto tal</em> e, também, ao não examinar <em>a relação entre emancipação politica e emancipação humana</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">O Estado enquanto racionalidade, diz Marx, sabe que deve estar estranho aos cultos, porém, ele permite a fragmentação religiosa dentro da sociedade civil. Para Marx, a alienação religiosa aparece então, como uma manifestação da imperfeição da natureza do próprio Estado! Pois para o Estado se afirmar na totalidade é necessário que ele assegure a religiosidade na sociedade civil. Essa é a sua natureza na sua construção secular. Estado e religião não são excludentes como acreditava Bauer.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao mostrar que Estado e religião não se excluem, a oposição que importa, alega Marx, é a da relação entre emancipação política e emancipação humana.</p>
<p style="text-align:justify;">No Estado, o homem, na condição universal de cidadão como vem explicito na Constituição (todos iguais independente de crença e religião), deixa de ser alienado religiosamente: politicamente ele transcende as suas limitações enquanto homem estreito para se realizar plenamente, mas, em uma forma abstrata. A emancipação política dá-se, na verdade, enquanto alienação, pois não é o homem, mas sim o Estado que parece conter a totalidade do homem que emancipa. No Estado político assim é necessário, mas não é efetivamente a verdadeira emancipação. Mesmo quando se declara ateu na condição de cidadão, o homem se encontra na religião, porque o homem agora para se reconhecer enquanto homem precisa do Estado político, assim como precisava de Cristo para mediar o seu constrangimento religioso. O Estado puro pressupõe, assim, uma relação religiosa em si mesmo.</p>
<p style="text-align:justify;">A sua realização enquanto ser social o homem confere ao Estado politico na condição de cidadão, ou seja, sua realização só existe abstratamente, na Constituição, por exemplo, não está inerente a si mesmo. Na lei somos cidadãos com direitos garantidos, mas, na efetividade, somos sujeitos concretos que não gozam de todos os direitos. A emancipação política é mais uma forma de alienação e não de verdadeira liberdade humana, conclui Marx.</p>
<p style="text-align:justify;">Vimos que no Brasil, mesmo no âmbito da política questões públicas ganham conotação religiosa. O Estado ao manter a religiosidade na sociedade civil a partir da garantia constitucional da liberdade de culto (aqui um parêntese: na prática sabemos como isso é controverso para as religiões de matriz africana), faz subsistir a moral religiosa que tanto interfere nas decisões públicas. E no nosso país, a moral religiosa emaranhada na formação do Estado, é a moral cristã. A manutenção da contradição entre religião e política faz parte da natureza do Estado secular! O Estado político não está excluído das questões religiosas, ele as mantem em seu modo de operação. Portanto, a tese de oposição entre religião e política é falsa e o que importa é a verdadeira emancipação humana e, diante disso, a abolição de tal Estado político.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://destemidxs.files.wordpress.com/2011/08/igrejas.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-574" title="igrejas" src="http://destemidxs.files.wordpress.com/2011/08/igrejas.jpg?w=300&#038;h=182" alt="" width="300" height="182" /></a></p>
<p>Referência: MARX, Karl. <em>Manuscritos Económicos-Filosóficos</em>. Edições 70: Lisboa, 1964.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>[1]</strong> Resolvi compartilhar o texto [feito não para ser publicado] tendo em vista as últimas reações de setores religiosos e conservadores no âmbito político. Me chamou a atenção também, uma fala do Deputado Federal Jean Wyllys, que nos faz pensar como esse falatório moralista tem encoberto esse Estado corrupto!</p>
<p><a href="http://destemidxs.files.wordpress.com/2011/08/jean_wyllys_twitter.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-575" title="jean_wyllys_twitter" src="http://destemidxs.files.wordpress.com/2011/08/jean_wyllys_twitter.jpg?w=300&#038;h=136" alt="" width="300" height="136" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/destemidxs.wordpress.com/570/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/destemidxs.wordpress.com/570/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/destemidxs.wordpress.com/570/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/destemidxs.wordpress.com/570/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/destemidxs.wordpress.com/570/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/destemidxs.wordpress.com/570/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/destemidxs.wordpress.com/570/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/destemidxs.wordpress.com/570/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/destemidxs.wordpress.com/570/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/destemidxs.wordpress.com/570/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/destemidxs.wordpress.com/570/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/destemidxs.wordpress.com/570/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/destemidxs.wordpress.com/570/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/destemidxs.wordpress.com/570/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=destemidxs.wordpress.com&amp;blog=8282026&amp;post=570&amp;subd=destemidxs&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Festival Vulva La Vida</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Jan 2011 19:51:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carla vanessa</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Verão Salvador 2011: nada do axé, do pagode e da caricatura da mulata pra esquentar janeiro. Mas sim,  um festival de contra cultura feminista organizado no estilo faça você mesma!: Festival Vulva La Vida. O Festival não é uma realização do tipo &#8220;politicamente correto&#8221;. Também não é um encontro que espera uma revolução futura. Oh, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=destemidxs.wordpress.com&amp;blog=8282026&amp;post=556&amp;subd=destemidxs&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Verão Salvador 2011: nada do axé, do pagode e da caricatura da mulata pra esquentar janeiro. Mas sim,  um festival de contra cultura feminista organizado no estilo <em>faça você mesma!</em>: <a title="Site do Festival Vulva La Vida" href="http://festivalvulvalavida.wordpress.com/" target="_blank">Festival Vulva La Vida</a>. O Festival não é uma realização do tipo &#8220;politicamente correto&#8221;. Também não é um encontro que espera uma revolução futura. Oh, não. Pois a liberdade é agora.</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_557" class="wp-caption aligncenter" style="width: 181px"><a href="http://destemidxs.files.wordpress.com/2011/01/cartaz-festival-por-tc3balio-xavier.png"><img class="size-medium wp-image-557" title="Cartaz Festival Vulva La Vida" src="http://destemidxs.files.wordpress.com/2011/01/cartaz-festival-por-tc3balio-xavier.png?w=171&#038;h=300" alt="Por Túlio Xavier" width="171" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">cartaz do festival, por túlio xavier.</p></div>
<p style="text-align:center;"><strong>ORGULHOSAMENTE FEMINISTAS, NECESSARIAMENTE INCONVENIENTES.</strong></p>
<p style="text-align:center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://destemidxs.wordpress.com/2011/01/04/festival-vulva-la-vida/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Ewje2wl3CWA/2.jpg" alt="" /></a></span><strong><br />
</strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/destemidxs.wordpress.com/556/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/destemidxs.wordpress.com/556/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/destemidxs.wordpress.com/556/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/destemidxs.wordpress.com/556/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/destemidxs.wordpress.com/556/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/destemidxs.wordpress.com/556/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/destemidxs.wordpress.com/556/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/destemidxs.wordpress.com/556/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/destemidxs.wordpress.com/556/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/destemidxs.wordpress.com/556/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/destemidxs.wordpress.com/556/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/destemidxs.wordpress.com/556/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/destemidxs.wordpress.com/556/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/destemidxs.wordpress.com/556/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=destemidxs.wordpress.com&amp;blog=8282026&amp;post=556&amp;subd=destemidxs&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">carlarrrr</media:title>
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			<media:title type="html">Cartaz Festival Vulva La Vida</media:title>
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	</item>
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		<title>[O mundo. Fatos.]</title>
		<link>http://destemidxs.wordpress.com/2010/12/21/o-mundo-fatos/</link>
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		<pubDate>Tue, 21 Dec 2010 13:27:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carla vanessa</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Natura demite funcionários em condições debilitadas de saúde Pelo menos 30 trabalhadores da empresa de cosméticos Natura foram demitidos nos últimos dias. De acordo com o Sindicato dos Químicos Unificados, todos os trabalhadores estavam com a saúde debilitada. A maioria dos funcionários são mulheres e atuavam na unidade de Cajamar, na Grande São Paulo. O [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=destemidxs.wordpress.com&amp;blog=8282026&amp;post=549&amp;subd=destemidxs&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2 style="text-align:center;"><a href="http://www.radioagencianp.com.br/9368-natura-demite-funcionarios-em-condicoes-debilitadas-de-saude">Natura demite funcionários em condições debilitadas de saúde</a></h2>
<p style="text-align:justify;"><em>Pelo menos 30 trabalhadores da empresa de cosméticos Natura foram demitidos nos últimos dias. De acordo com o Sindicato dos Químicos Unificados, todos os trabalhadores estavam com a saúde debilitada. A maioria dos funcionários são mulheres e atuavam na unidade de Cajamar, na Grande São Paulo. O dirigente sindical, Paulo Soares Correia, afirma que a empresa reconheceu – por meio do CAT (Comunicado de Acidente de Trabalho) – que as lesões foram adquiridas na linha de produção.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/destemidxs.wordpress.com/549/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/destemidxs.wordpress.com/549/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/destemidxs.wordpress.com/549/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/destemidxs.wordpress.com/549/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/destemidxs.wordpress.com/549/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/destemidxs.wordpress.com/549/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/destemidxs.wordpress.com/549/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/destemidxs.wordpress.com/549/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/destemidxs.wordpress.com/549/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/destemidxs.wordpress.com/549/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/destemidxs.wordpress.com/549/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/destemidxs.wordpress.com/549/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/destemidxs.wordpress.com/549/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/destemidxs.wordpress.com/549/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=destemidxs.wordpress.com&amp;blog=8282026&amp;post=549&amp;subd=destemidxs&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Opiniões.</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Dec 2010 12:52:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carla vanessa</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Eu sou defensora do pensamento autônomo, da liberdade de opiniões, MAS, existem assuntos, realidades, que o conhecimento prévio, que o diálogo com outrem, é fundamental para emitir até uma mera opinião. Isso não anula, muito obviamente, que se pense por si mesmo, que se emita opiniões originais, não obstante, isso evita um pensamento deslocado do concreto, deslocado da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=destemidxs.wordpress.com&amp;blog=8282026&amp;post=545&amp;subd=destemidxs&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Eu sou defensora do pensamento autônomo, da liberdade de opiniões, MAS, existem assuntos, realidades, que o conhecimento prévio, que o diálogo com outrem, é fundamental para emitir até uma mera opinião. Isso não anula, muito obviamente, que se pense por si mesmo, que se emita opiniões originais, não obstante, isso evita um pensamento deslocado do concreto, deslocado da história. Façamos por entender.</p>
<p style="text-align:justify;">No que se refere o feminismo, por exemplo, o que mais se vê são opiniões. Penso que até pelo caráter contestador do movimento, afinal, colocar em cheque uma ordem social e cultural não é pouca coisa! Muita gente se incomoda e aí, dá-lhe opiniões! E geralmente tenho que ouvir: &#8220;feminismo é coisa ultrapassada&#8221;, &#8220;feminismo atualmente não faz sentido algum&#8221; e blábláblá. Algumas pessoas ainda tentam legitimar a opinião pelo simples fato de terem vivido em épocas &#8220;áureas do movimento feminista&#8221;, a exemplo da década de 70 e 80. Vejamos. Estamos em um outro momento histórico. Bem verdade que o feminismo não é mais evidente em grandes movimentos nas ruas [mas, eles existem! sim!], que tem se institucionalizado&#8230; porém, há feministas! Há feministas que lutam pela superação da cultura machista, pela igualdade de gênero. E isso por qual motivo? Porque os fatos não podem ser negados: violência contra a mulher, dupla jornada de trabalho, mutilação do corpo feminino pela indústria da beleza&#8230;  Se o feminismo pode ser identificado como o combate à opressão das mulheres e à opressão de gênero, o movimento sequer deve deixar de existir. Lembremos que a própria opressão é histórica, ela vai se modificando, se adaptando &#8211; longe de querer sustentar um status de vitimização, trata-se de desvelar os fatos.  E o feminismo assume formas históricas!</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://destemidxs.files.wordpress.com/2010/12/lucio-oliveira-machista.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-546" title="machismo" src="http://destemidxs.files.wordpress.com/2010/12/lucio-oliveira-machista.jpg?w=300&#038;h=134" alt="" width="300" height="134" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Então, hoje li um texto que me alegrou deveras. O <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/12/a_busca_incansavel_por_um_feminismo_docil_ou_nao_e_de_voce_que_devemos_falar.php">texto</a> fala, de um modo geral, das opiniões emitidas sobre o feminismo. Das meras opiniões dos homens sobre o movimento. E, lembremos, opinião sem conhecimento = preconceito. Pois. Achei fantástico o texto e condiz bastante com o que penso. Depois, o texto fora escrito por um professor, Idelber Avelar que, apesar de não ser ativista simpático ao movimento [pelo menos não parece] sabe fazer da sua opinião sobre o feminismo uma opinião inteligente.</p>
<p style="text-align:justify;">Coloco abaixo o texto na íntegra.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><em>A busca incansável por um feminismo dócil, ou, não é de você que devemos falar</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Uma das coisas que aprendi sendo amigo e interlocutor de <a href="http://beauvoriana2.zip.net/">Mary W</a> é que a própria resistência (entendida em sentido freudiano) ao feminismo é um fenômeno sociologicamente interessante, um dado a se estudar, <strong>um caso</strong>, diria a Mary, com sua sintaxe e seu uso do negrito inconfundíveis. Essa sacada dela coincide com algo que eu lhe disse certa vez durante um chope: quando homens emitem “opiniões” sobre o feminismo, elas não costumam vir embasadas em bibliografia ou sequer em escuta da experiência das mulheres <strong>narrada por elas próprias</strong>. Arma-se alguma capenga simetria entre machismo e feminismo, decreta-se que “as” feministas são isso ou aquilo e encerra-se o assunto sob viseiras, em geral acompanhado de algum choramingo contra “elas”, que são “radicais” ou “patrulheiras” (confesso que “barraqueira” eu ouvi pela primeira vez esta semana), sem que nenhum esforço tenha sido despendido na escuta do outro, neste caso na escuta <strong>da outra</strong>. Note-se, por favor (já que malentendido, teu nome é Internet), que não me refiro a uma opinião sobre <strong>tal</strong> ou <strong>qual</strong> leitura feminista de <strong>tal</strong> ou <strong>qual</strong> texto de Clarice Lispector, mas às emissões de “opinião” sobre o que “é” o feminismo. Essas, invariavelmente, são um desastre.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Essa prática sempre me pareceu espantosa, porque ninguém, nem mesmo um daqueles jornalistas mais caras-de-pau de <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/11/semana_nas_comunicacoes_resmungos_de_moscou_e_receita_de_mordalingua.php">MOSCOU</a>, se arriscaria a ter “opinião” sobre, digamos, fenomenologia ou hermenêutica sem antes equipar-se minimamente para tanto. Todavia, sobre o feminismo, uma constelação de pensamentos, escritas e práticas políticas das mulheres não menos complexa, <a href="http://www.cddc.vt.edu/feminism/indiv.html">multifacetada</a>, ampla e profunda que aquelas duas escolas, e sem dúvida mais influente que ambas, os homens, em geral, e com visível desconforto e pressa, acham que podem ter “opinião”, passar juízo, assim, sem mais nem menos, sem sequer dar um checada nas estatísticas de violência doméstica, estupro ou diferença salarial entre homens e mulheres ou <strong>ouvir</strong> uma feminista. Não falemos de ler alguma coisa de bibliografia, uma Beauvoir ou Muraro básica que seja. Acreditam sincera e piamente que essa sua atitude não tem nada a ver com o machismo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Quando esses homens são confrontados por uma feminista, seja em sua ignorância, seja em sua cumplicidade com uma ordem de coisas opressora para as mulheres, armam um chororô de mastodônticas proporções, pobres coitados, tão patrulhados que são. Todos aqueles olhos roxos, discriminações, assédios sexuais, <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,dez-mulheres-sao-mortas-por-dia-no-pais,575974,0.htm">assassinatos</a>, estupros, incluindo-se estupros &#8220;<a href="http://www.guardian.co.uk/world/2009/mar/12/eudy-simelane-corrective-rape-south-africa">corretivos</a>&#8221; de lésbicas (via <a href="http://twitter.com/vleonel">Vange</a>), objetificações para o prazer único do outro, <a href="http://www.4shared.com/document/yhcmlQDC/tccpdf.html">estereotipia na mídia</a>, jornadas duplas de trabalho, <a href="http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1180&amp;catid=43">espancamentos domésticos</a>? Que nada! <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2010/12/17/feminazi/">Sofrimento mesmo</a> é o de macho “patrulhado” ou “linchado” por feministas! A coisa chega a ser cômica, de tão constrangedora.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Desfila-se todo o rosário dos melhores momentos do sexista: como posso ser machista se tenho mãe, mulher e filha, como posso ser machista se quem passa minhas roupas é uma mulher, como posso ser machista se de vez em quando &#8216;divido&#8217; o serviço doméstico com ela, como podem considerar o feminismo um elogio se o machismo é um insulto, por que as feministas ficam nos dividindo, por que as feministas ficam sendo radicais demais e a longa lista de etecéteras bem conhecida das mulheres que têm um histórico de discussão do tema. Os caras sequer são capazes de renovar os emblemas frasais de sua ignorância.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Foi o caso, nestes últimos dias, de alguns dos blogueiros autoidentificados, a partir de um encontro recente em São Paulo, como “progressistas” (não está muito claro de onde vem nem para onde vai esse “progresso” nem em que consiste o “progredir”, mas é evidente que sou ferrenho defensor da primazia da autoidentificação: que cada um se chame como gosta, contanto que me incluam fora desta; este é um blog de esquerda). O progressismo blogueiro é visivelmente masculinista, e que ele reaja com tão ruidosa choradeira ao mero aflorar de uma crítica feminista é só mais uma óbvia confirmação do fato.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O acontecido já foi relatado por <a href="http://cynthiasemiramis.org/">Cynthia Semíramis</a> e <a href="http://www.escrevalolaescreva.blogspot.com/">Lola Aronovich</a>, e só me interessa aqui como sintomatologia do blogueiro progressista que faltou à aula em que o feminismo explicava em detalhe como o pessoal está imbricado com o político, como a apropriação e a simultânea desqualificação do trabalho das mulheres têm sido componentes históricos de uma hierarquia de gêneros que se impõe com tremenda brutalidade. O blogueiro progressista provavelmente nem notou que o Jornal Nacional mais uma vez se permitiu comentários sobre a aparência de Dilma que jamais se permitiria sequer sobre Lula. Mas a Marjorie Rodrigues <a href="http://twitter.com/marjerodrigues/status/15898190972719105">notou</a>.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Uma das características do masculinismo progressista é sua tremenda dificuldade em entender a lição de Ana que, escrita num contexto de discussão do racismo, também se aplica aqui: <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/11/nao_e_sobre_voce_que_devemos_falar_por_ana_maria_goncalves.php">não é sobre você que devemos falar</a>. Não é sobre seu umbiguismo, não é sobre seu desconforto, não é sobre a sua necessidade de que as feministas sejam dóceis (ou não “divisionistas”) o suficiente para que possam carimbar e avalizar o seu tranquilizador atestado de boa consciência. Pra isso o Biscoito Fino e a Massa recomenda outra coisa: psicanálise freudiana. No Brasil de Lula e Dilma, já não é coisa tão cara, pelo menos para a maioria dos que leem esta bodega.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O progressismo blogueiro refletiu pouco, me parece, sobre como até suas referências a si próprio estão encharcadas de sexismo. O encontro progressista em São Paulo (que contou com interlocutores e amigos meus, que foi uma bela iniciativa à qual fui convidado, e a cuja continuação eu desejo sucesso) foi, em várias ocasiões, apresentado por seus principais protagonistas, quase todos homens, como “o” encontro de blogueiros, “o primeiro encontro” nacional, “a primeira grande” reunião.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ora, o que isso tem a ver com o sexismo?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O progressismo blogueiro formado por homens jornalistas oriundos da grande mídia ou pautados por ela desconhece tanto a história de blogolândia que, como diria Macedonio Fernández, se a desconhecesse um pouquinho mais, já não caberia nada. Isso não seria problema se ele não tivesse a pretensão de falar em nome de uma totalidade &#8220;progressista&#8221;. A primeira pessoa levada a um portal por seu trabalho em blogs foi uma mulher, Daniela Abade. A primeira vez que em um livro foi vendido via blogs aconteceu também num blog feminino, o <a href="http://web.archive.org/web/*/http://udigrudi.blogspot.com">Udigrudi</a>. Talvez a mais massiva troca de experiências e formação de comunidade num livro de visitas de blog ocorreu pelo trabalho de duas mulheres feministas. Refiro-me ao <a href="http://mothern.blogspot.com/">Mothern de Laura Guimarães e Juliana Sampaio</a>, que também representou a primeira vez em que um blog virou série de televisão. A mais longeva comunidade blogueira em atividade na rede provalvemente é a do imperdível <a href="http://dropsdafal.blogbrasil.com/">Drops da Fal</a>. <a href="http://cynthiasemiramis.org/">Cynthia Semíramis</a>, a feminista cujo texto-resposta foi recusado no espaço que transformou “feminazi” em post, tem mais história na rede que qualquer das lideranças masculino-jornalístico-progressistas (é coautora, por exemplo, de um<a href="http://cynthiasemiramis.org/2004/10/09/manual-de-sobrevivencia-na-selva-de-bits-evitando-as-acoes-judiciais-contra-publicacoes-na-internet/">texto </a>clássico sobre a questão jurídica na internet). De <a href="http://web.archive.org/web/20040124061425/www.blowg.blogspot.com/">Marina W</a> a<a href="http://web.archive.org/web/20030801233703/www.letti.com.br/afrodite/archives/2003_04.html">Cláudia Letti</a> a <a href="http://flabbergasted2.wordpress.com/">Meg Guimarães</a>, há uma história de pioneirismo de mulheres em blogolândia que se deveria conhecer com mais interesse e humildade, se é que a palavra &#8220;progressista&#8221; vai preservar ainda um farrapo de relação com alguma experiência que possa ser chamada de emancipatória.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Confesso que sinto um pouco de vergonha alheia quando vejo blogueiros progressistas referindo-se ao seu (notadamente importante, sublinhe-se) encontro como “o” encontro de blogueiros ou como “a primeira” reunião ou a si próprios como “os” progressistas. Tudo isso enquanto ignoram completamente a história que lhes precede, na qual o protagonismo feminino é indiscutível. Na história que lhes é contemporânea, o protagonismo feminino não é nada desprezível tampouco, mas também a ignoram.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O jornalismo masculino progressista não apenas desconhece essa história. Ele não parece interessado em conhecê-la, não suspeita que familiaridade com ela problematizaria alguns elementos de sua prática. Fazendo tantas referências adâmicas a si próprio, contribui para a invisibilização e o silenciamento da história de blogolândia construída pelas mulheres. Daquele jeito convicto bem próprio dos ignorantes em denegação, o blogueiro jornalista-progressista jura que isso que não tem nada a ver com o machismo. Provavelmente ele não também não se perguntou se essa invisibilização terá algo a ver com vícios oriundos de 100 anos de um modelo em que jornalistas, quase sempre homens, falavam, na maioria das vezes sobre assuntos que domina(va)m assombrosamente mal, e leitores e leitoras recebiam calados.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Caso o jornalismo blogueiro masculino progressista tenha inteligência, humildade e decência, escolherá escutar o que sobre o feminismo disseram as próprias feministas. A bibliografia não é exatamente pequena. Sempre se pode começar com <a href="http://cynthiasemiramis.org/2008/01/21/o-segundo-sexo-para-download/">O Segundo Sexo</a>, de Simone de Beauvoir, passar à <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_M%C3%ADstica_Feminina">Mística Feminina</a>, de Betty Friedan, chegar a <a href="http://www.scielo.br/pdf/ref/v13n1/a12v13n1.pdf">Problemas de Gênero</a> [pdf], de Judith Butler, escolhendo, no caminho, mil outras veredas possíveis. Pessoalmente, sou fã da polêmica que se dá entre as feministas materialistas britânicas, em que uma teoria mais funcionalista das relações entre opressão de classe e opressão de gênero se enfrenta com uma teoria entitulada &#8220;sistemas duais&#8221;, que argumentava pela independência relativa entre capitalismo e patriarcado (embate sociológico dos bons, nos quais nunca, claro, se fixa uma conclusão, mas durante os quais se exploram hipóteses interessantes). Essa polêmica está apresentada num livro de Michelle Berrett, intitulado <a href="http://www.amazon.com/Womens-Oppression-Today-Feminist-Encounter/dp/0860912191">Women&#8217;s Oppression Today</a>, que seria uma ótima pedida traduzir. De <a href="http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/">Patrícia Galvão</a> a <a href="http://www.rosemuraro.com.br/gpage2.html">Rose Marie Muraro</a>, é possível informar-se, um pouquinho que seja, sobre a história no Brasil.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ninguém é obrigado a ser inteligente o tempo todo, mas quando se trata de<strong>aprender a escutar</strong>, humildade e decência costumam ser as duas qualidades mais importantes da trinca.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong><br />
</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/destemidxs.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/destemidxs.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/destemidxs.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/destemidxs.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/destemidxs.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/destemidxs.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/destemidxs.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/destemidxs.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/destemidxs.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/destemidxs.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/destemidxs.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/destemidxs.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/destemidxs.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/destemidxs.wordpress.com/545/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=destemidxs.wordpress.com&amp;blog=8282026&amp;post=545&amp;subd=destemidxs&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Liberdade Animal</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Oct 2010 23:35:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carla vanessa</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Pois bem, sou ovo-lacto-vegetariana e terminantemente contra qualquer tipo de tortura com animais. Depois, não consigo conceber o porque dos chamados animais irracionais serem reduzidos a meios para fins humanos. Me considero como pro-libertação animal. Em determinados fóruns da internet, que discutem vegetarianismo e veganismo, tem sido bem recorrente a ideia de que é inconcebível falar em liberdade [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=destemidxs.wordpress.com&amp;blog=8282026&amp;post=531&amp;subd=destemidxs&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Pois bem, sou ovo-lacto-vegetariana e terminantemente contra qualquer tipo de tortura com animais. Depois, não consigo conceber o porque dos chamados animais irracionais serem reduzidos a<em> meios para fins humanos</em>. Me considero como pro-libertação animal.</p>
<p style="text-align:justify;">Em determinados fóruns da internet, que discutem vegetarianismo e veganismo, tem sido bem recorrente a ideia de que é inconcebível falar em liberdade animal tendo em vista que liberdade se refere unicamente ao ser humano, animal racional e capaz de escolher, capaz de &#8220;superar&#8221; sua condição natural e que, em contrapartida, os animais irracionais, por assim serem, estão entregues ao instinto, às leis da natureza. Mas, é abdicando da classificação baseada na posse/não da racionalidade  - classificação que nada mais é do que uma construção humana &#8211; que proponho a leitura do artigo <strong><a href="http://www.labea.ufpr.br/publicacoes/pdf/P%E1ginas%20Iniciais%202%20Senci%EAncia.pdf">Senciência Animal</a>. [1]</strong></p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><a href="http://destemidxs.files.wordpress.com/2010/10/animal_lib-1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-536" title="animal_lib (1)" src="http://destemidxs.files.wordpress.com/2010/10/animal_lib-1.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a><br />
</strong></p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><a href="http://destemidxs.files.wordpress.com/2010/10/bg_silhouette.gif"><br />
</a>[1]</strong> existem inúmeros textos sobre <a href="http://www.anda.jor.br/2009/06/10/senciencia/">senciência</a>, afora escritos cientifico-filosóficos de Carol Adams<em>, </em>Jeremy Bentham, Peter Singer, Tom Regan e Richard Ryder. No entanto, a autora deste artigo traz contra-argumentos fantásticos ao discurso científico.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/destemidxs.wordpress.com/531/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/destemidxs.wordpress.com/531/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/destemidxs.wordpress.com/531/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/destemidxs.wordpress.com/531/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/destemidxs.wordpress.com/531/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/destemidxs.wordpress.com/531/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/destemidxs.wordpress.com/531/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/destemidxs.wordpress.com/531/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/destemidxs.wordpress.com/531/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/destemidxs.wordpress.com/531/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/destemidxs.wordpress.com/531/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/destemidxs.wordpress.com/531/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/destemidxs.wordpress.com/531/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/destemidxs.wordpress.com/531/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=destemidxs.wordpress.com&amp;blog=8282026&amp;post=531&amp;subd=destemidxs&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">animal_lib (1)</media:title>
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		<item>
		<title>I Convocatória Riot Grrrl Salvador</title>
		<link>http://destemidxs.wordpress.com/2010/09/05/i-convocatoria-riot-grrrl-salvador/</link>
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		<pubDate>Sun, 05 Sep 2010 03:15:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>irisnery</dc:creator>
				<category><![CDATA[riotgrrrl]]></category>

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		<description><![CDATA[Divulgando aqui o novo projeto do meu coletivo, Na Lâmina da Faca! &#8211; Nós, do coletivo Na Lâmina da Faca, pedimos licença à todas para divulgar a  I CONVOCATÓRIA RIOT GRRRL SALVADOR, que estará aberta entre os dias 20 de agosto à 20 de outubro de 2010. Através do e-mail do coletivo — nalaminadafaca@gmail.com — [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=destemidxs.wordpress.com&amp;blog=8282026&amp;post=526&amp;subd=destemidxs&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Divulgando aqui o novo projeto do meu coletivo, Na Lâmina da Faca!</p>
<p>&#8211;</p>
<p><a href="http://destemidxs.files.wordpress.com/2010/09/convocatoria-riot-grrrl-ssa.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-527" title="Convocatória Riot Grrrl SSA" src="http://destemidxs.files.wordpress.com/2010/09/convocatoria-riot-grrrl-ssa.jpg?w=300&#038;h=283" alt="" width="300" height="283" /></a></p>
<p>Nós, do coletivo Na Lâmina da Faca, pedimos licença à todas para  divulgar a  I CONVOCATÓRIA RIOT GRRRL SALVADOR, que estará aberta entre  os dias 20 de agosto à 20 de outubro de 2010.</p>
<p>Através do e-mail do coletivo — <strong>nalaminadafaca@gmail.com</strong> — as interessadas podem enviar suas sugestões, críticas e inclusive  tomar a iniciativa de ajudar na construção de um festival autônomo de  Contra-cultura produzida por mulheres,  que acontecerá na cidade de  Salvador, no próximo verão.</p>
<p>“Riot Grrrl” é um termo originário dos Estados Unidos, surgido na  década de 90, e que diz respeito a um movimento sócio-musical conduzido  por mulheres na cena punk norte-americana. O movimento acabou se  propagando em outros países, que, assim como os EUA, possuíam (e ainda  possuem) uma sociedade sexista que era/é reproduzida também na  comunidade punk. Quando veio para a América Latina, o Riot Grrrl  acrescentou outros elementos contra-hegemônicos que não estavam  presentes nos Estados Unidos, como o Colonialismo.</p>
<p>Utilizamos o termo buscando dar uma identidade — autônoma, rebelde,  feminista — a essa iniciativa, sem, no entanto, nos prendermos a ele. Em  outras palavras, Riot Grrrl é a junção de diversão+política, e é isso  que queremos resgatar.</p>
<p>Acesse nosso blog para conhecer mais sobre o coletivo: <strong>www.nalaminadafaca.wordpress.com</strong>.</p>
<p>Participe e nos ajude a divulgar!</p>
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		<title>O amor materno</title>
		<link>http://destemidxs.wordpress.com/2010/08/07/o-amor-materno/</link>
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		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 18:29:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carla vanessa</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Entende-se que, falar em amor materno é falar de um sentimento natural da mulher. Faz parte do instinto feminimo. Logo, qualquer questionamento acerca desse sentimento é sem sentido. Mas, como compartilho da não crença em instintos, vou colocar tal sentimento em questão. Seria ele natural mesmo? Caso sim, como explicar os maltratos perpetrados pelas mães? [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=destemidxs.wordpress.com&amp;blog=8282026&amp;post=516&amp;subd=destemidxs&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Entende-se que, falar em amor materno é falar de um sentimento natural da mulher. Faz parte do instinto feminimo. Logo, qualquer questionamento acerca desse sentimento é sem sentido. Mas, como compartilho da não crença em instintos, vou colocar tal sentimento em questão. Seria ele natural mesmo? Caso sim, como explicar os maltratos perpetrados pelas mães? Ou seria esse amor construído pelo hábito? Experiência? Cultura? Social?</p>
<p style="text-align:justify;">Pois bem, eis abaixo o prefácio à edição de bolso do livro <em>Um amor conquistado: o mito do amor materno </em>da filósofa Elisabeth Badinter, onde a seguinte problematização norteia todo o escrito: o amor materno é um instinto ou depende de um comportamento social?</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://destemidxs.files.wordpress.com/2010/08/gravida.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-517" title="gravida" src="http://destemidxs.files.wordpress.com/2010/08/gravida.jpg?w=217&#038;h=300" alt="" width="217" height="300" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A julgar pelas reações apaixonadas que este livro provocou — e que me surpreenderam,</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>confesso —, a maternidade é, ainda hoje, um tema sagrado. Continua difícil questionar o amor materno, e a mãe permanece, em nosso inconsciente coletivo, identificada a Maria, símbolo do indefectível amor oblativo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Se numerosos leitores manifestaram-me a sua simpatia, se certos especialistas das disciplinas relacionadas expressaram interesse, ou aprovação, recebi em compensação certo</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>número de críticas, todas voltadas para a mesma questão: tem o filósofo o direito de estabelecer a existência ou a inexistência de um instinto, seja ele qual for? Não se deve deixar ao biólogo a tarefa de responder a essa pergunta? Alguns leitores, lembrando-se de que biólogos eminentes já se haviam manifestado pelo reexame global da problemática do instinto no homem, fizeram-me saber que meu trabalho não tinha mais grande interesse. Outros, pelo contrário, que consideram o problema ainda não resolvido, julgaram impossível tratá-lo sem levar em conta os dois hormônios da maternidade: a prolactina e a ocitocina. Outros, ainda, acharam inadmissível usar a história em apoio de uma tese que não era da competência nem do filósofo, nem do historiador. Todos esses críticos me acusaram, portanto, de ultrapassar de maneira intolerável os limites de minha disciplina.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Mas, na verdade, quais são os limites da filosofia? E de que serve esse discurso, especializado em nada e que se ocupa de tudo, senão justamente para questionar de novo as verdades aceitas e analisar todos os sistemas de pensamento? Pode-se proibir ao filósofo a reflexão sobre os pressupostos da biologia ou da história, quando sabemos bem que ali se articula toda a problemática da natureza e da cultura? Por que poderia ele ser considerado inapto para ler a história, ou para interpretar comportamentos, se dispõe dos mesmos materiais que o historiador?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>É certo que o filósofo não faz avançar a ciência, pois não traz documentos ou fatos novos à coletividade científica, mas será preciso considerar seu trabalho inexistente se ele procura, mais modestamente, debelar os preconceitos?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Não obstante, entre todas as críticas que me foram feitas, algumas me pareceram necessárias e construtivas. Por vezes, pequei por imprecisão ou omissão. Teria sido preciso ceder, por exemplo, ao prazer de dar à primeira parte o título &#8220;O amor ausente&#8221;? Tantos leitores deixaram-se levar por ele — mesmo entre os mais bem-intencionados — que é preciso reconhecer minha culpa. Eu nunca disse que o amor materno é uma invenção do século XVIII: em várias ocasiões, neste livro, cheguei a ressaltar o contrário. O título, porém, podia sugerir ao leitor apressado ser esse o meu propósito. Queria dizer apenas que uma sociedade que não valoriza um sentimento pode extingui-lo ou sufocá-lo ao ponto de eliminá-lo totalmente em numerosos corações. E não que tal sociedade tornasse impossível todo amor materno — o que teria sido um absurdo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Errei também ao não insistir suficientemente no aspecto predeterminado, universal e necessário do conceito de instinto. Deveria ter lembrado as definições dos dois dicionários mais populares. Não para encontrar nelas a expressão final da teoria científica, mas para recordar a ideologia comum nessa matéria. Pois, embora muitos cientistas saibam perfeitamente que o conceito de instinto está caduco, alguma coisa em nós, mais forte do que a razão, continua a pensar na maternidade em termos de instinto. Teria sido preciso, portanto, citar a definição do dicionário Robert (&#8220;tendência inata e poderosa, comum a todos os seres vivos ou a todos os indivíduos de uma mesma espécie&#8221;), já que contesto ao mesmo tempo o caráter inato&#8221; do sentimento materno e o fato de que seja partilhado por todas as mulheres.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Era preciso lembrar também a definição, ainda mais carregada de pressupostos ideológicos, do Larousse do século XX (edição de 1971), que descreve o instinto materno como &#8220;uma tendência primordial que cria em toda mulher normal um desejo de maternidade e que, uma vez satisfeito esse desejo, incita a mulher a zelar pela proteção física e moral dos filhos&#8221;, pois acredito que uma mulher pode ser &#8220;normal&#8221; sem ser mãe, e que toda mãe não tem uma pulsão irresistível a se ocupar do filho.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Devia, sem dúvida, ter explicitado melhor os postulados filosóficos subjacentes a este trabalho. Não que tivesse pretendido dissimulá-los e apresentar-me &#8220;mascarada&#8221;. Não me parecia útil, porém, voltar ao debate que opõe, há tanto tempo, os essencialistas aos filósofos da contingência, os que acreditam na preeminência do &#8220;fundo&#8221; aos que se inclinam pela realidade única da forma&#8230; Também nisso errei, pois meus detratores puderam julgar-me inconsciente de minha própria filosofia, que se apressaram a rebaixar ao nível de um simples militantismo, enquanto eles mesmos escapavam a toda influência filosófica e detinham o privilégio e a exclusividade da objetividade científica.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Isso se tornou particularmente claro quando certos historiadores me acusaram de anacronismo, isto é, de julgar a realidade passada com os olhos de hoje, em nome de valores que então não circulavam. Um debate clássico, e até ultrapassado.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Há muito tempo foi reconhecida a impossibilidade de um observador, por mais circunspecto e cauteloso que seja, despojar-se de seus valores e de suas paixões para ver os outros com toda a objetividade. Georges Duby lembrou recentemente esta verdade essencial aos seus colegas historiadores. O desenvolvimento da história quantitativa e a utilização da informática, diz ele, permite ter materiais mais precisos, mas o historiador os utiliza a serviço de suas paixões e da ideologia que o domina. </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Uma vez que uns e outros dispõem das mesmas informações, como explicar a divergência das interpretações, senão pelas divergências de nossas filosofias, ideologias ou paixões respectivas? Tomemos como exemplo a permanência da criança na casa da ama-de-leite no século XVIII. Ninguém contesta os números mencionados, a amplitude do fenômeno nas cidades de média ou grande importância.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Apesar disso, chegamos a interpretações opostas. Há quem pense que as mães urbanas que enviaram seus bebês para o campo deram com isso uma prova cabal de seu amor materno. Convencidas das vantagens do ar do campo e da nocividade da urbe, elas teriam sacrificado o seu desejo de maternagem à saúde da criança. Assim interpretada, a entrega do filho a uma ama-deleite para ser criado deixa de ser sinal de desinteresse pela criança afastada, tornando-se ao contrário, a ilustração suprema do mais puro altruísmo. O amor materno está salvo. Dir-se-á mesmo que sai engrandecido. Esse sentimento não conhece portanto eclipses, e nada mais permite colocar em dúvida o instinto do mesmo nome.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Minha interpretação — como a de alguns outros — não revela o mesmo otimismo. Se podemos admitir que a entrega da criança a uma ama-de-leite tenha sido, para algumas mães, uma prova de amor ao filho, podemos legitimamente duvidar de que o mesmo tenha ocorrido em todos os casos. O fato de todas as classes da sociedade urbana — mesmo nas pequenas cidades, menos &#8220;empesteadas&#8221; que as grandes — terem utilizado os serviços de amas mercenárias e aceitado longas separações dos seus bebês parece-me que deve ser interpretado de outra maneira.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Esse conflito de interpretações encontra-se também em outros níveis de análise. Houve quem me lembrasse — o que era perfeitamente inútil — que as mães do Antigo Regime não conheciam as estatísticas de mortalidade das crianças confiadas às amas-de-leite e portanto não tinham condições de avaliar os danos desse modo de criação. Como, porém, anular a experiência pessoal de cada mulher, ou das mulheres que lhe eram próximas? Como explicar que uma mulher que já perdera dois ou três filhos colocados em casa de amas continuasse a enviar os outros filhos para o mesmo lugar? Graças a Mareei Lachiver, os historiadores dos costumes conhecem bem o caso de Marie Bienvenue, ama negligente que deixou morrer 31 crianças em cerca de 14 meses&#8230; Que terão pensado as mães dessas crianças, que com freqüência eram das mesmas cidades?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Dizer que as mães não sabiam, dizer que os costumes eram outros e que todas acreditavam agir no melhor interesse da criança, não será querer eximi-las a qualquer preço de um &#8220;pecado&#8221; insuportável: o desinteresse pelo filho? Ora, todo o problema resume-se nisso. Aos olhos de muitos, não amar um filho é o crime inexplicável. E quem procura mostrar que esse amor não é indefectível é imediatamente suspeito de ser um insensato, ou um acusador injusto das mulheres do passado, ou ainda de interpretar propósitos e comportamentos em função de valores atuais. Numa palavra, de não fazer caso do rigor científico que proibiria inferir, com base em comportamentos, a existência ou a inexistência de um sentimento. É, porém, reveladora a constatação de que se é proibido inferir a ausência de amor materno em tal ou qual caso, em compensação não é proibido postular-se implicitamente a existência e a constância desse mesmo amor.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O mal-entendido parece-me ser, antes de mais nada, de ordem metafísica. Portanto, é exatamente à filosofia que temos de indagar a razão desses conflitos. Os que se recusam a julgar um sentimento a partir dos comportamentos são partidários de uma filosofia dualista. São os mesmos que distinguem radicalmente a essência da existência, a realidade da aparência, o fundo da forma. Aos seus olhos, as formas bem podem se modificar, sem com isso afetar &#8220;o fundo&#8221; ou &#8220;a essência&#8221;. Se os comportamentos maternos (as formas) assumem aspectos diferentes, até mesmo contraditórios, com o correr do tempo, nem assim modificam a realidade &#8220;profunda&#8221; desse amor, de alguma forma hipostasiado.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Nessa óptica, torna-se muito difícil chegar à essência do sentimento. Pois se ele se pode &#8220;manifestar&#8221; sob formas opostas, sob todas as maneiras possíveis, somos obrigados a reconhecer que sua essência permanece misteriosa, isto é, indefinível. Parece-me, porém, ser possível chegarmos a um acordo quanto a uma definição mínima do amor.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Não é ele sempre uma atenção bondosa para com outrem, que se exprime por pensamentos e gestos? Certamente ninguém pode negar que desejando o bem podemos errar o alvo e cometer involuntariamente o mal. Seria esse, dizem, o caso dessas mães bem-intencionadas que enviavam seus bebês para serem criados por amas e não podiam imaginar que estas os levavam muitas vezes à morte. Se admito esse raciocínio, devo acreditar também que o amor materno existe quando a mãe não se preocupa mais com o filho dela separado durante vários anos seguidos?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Não poderíamos pensar que se tivesse havido algum amor materno por ocasião do nascimento, ele se teria estiolado à falta de cuidados? Será absurdo dizer que à falta de ocasiões propícias ao apego, o sentimento simplesmente não poderia nascer? Responder me-ão que levanto por minha vez a hipótese discutível de que o amor materno não é inato. É exato: acredito que ele é adquirido ao longo dos dias passados ao lado do filho, e por ocasião dos cuidados que lhe dispensamos. É possível que a ausência do ser amado estimule nossos sentimentos, mas ainda assim é necessário que estes tenham existido previamente, e que a separação não se prolongue demasiado. Todos sabem que o amor não se exprime a todo momento, e que pode perdurar em estado latente. Mas se não se cuida dele, ele pode se debilitar ao ponto de desaparecer. Se faltarem oportunidades para se exprimir o próprio amor, se as manifestações do interesse que se tem por outrem são demasiado raras, então se corre o grande risco de vê-lo morrer.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Quando as mães se separavam de seus filhos por três ou quatro anos, que sentimento materno podiam experimentar quando voltavam para casa?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Penso, enfim, como os psicanalistas, que não há amor sem algum desejo, e que a ausência da faculdade de tocar, mimar ou beijar é pouco propícia ao desenvolvimento do sentimento. Se a criança não está ao alcance de sua mão, como poderá a mãe amá-la? Como poderá apegar-se a ela?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Mais precisamente, os defensores do amor materno &#8220;imutável quanto ao fundo&#8221; são evidentemente os que postulam a existência de uma natureza humana que só se modifica na &#8220;superfície&#8221;. A cultura não passa de um epifenômeno. Aos seus olhos, a maternidade e o amor que a acompanha estariam inscritos desde toda a eternidade na natureza feminina. Desse ponto de vista, uma mulher é feita para ser mãe, e mais, uma boa mãe. Toda exceção à norma será necessariamente analisada em termos de exceções patológicas. A mãe indiferente é um desafio lançado à natureza, a a-normal por excelência.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Em princípio, a lei natural não admite nenhuma exceção. Mesmo se substituímos o conceito de lei (universalidade) pelo de regra (geral), é necessário constatar que há demasiadas exceções à regra do amor materno para que não sejamos forçados a questionar a própria regra. O Amor, no reino humano, não é simplesmente uma norma. Nele intervém numerosos fatores que não a respeitam. Ao contrário do reino animal, imerso na natureza e submetido ao seu determinismo, o humano — no caso, a mulher — é um ser histórico, o único vivente dotado da faculdade de simbolizar, o que o põe acima da esfera propriamente animal. Esse ser de desejo é sempre particular e diferente de todos os outros. Que os biólogos me perdoem a audácia, mas sou dos que pensam que o inconsciente da mulher predomina amplamente sobre os seus processos hormonais. Aliás, sabemos que a amamentação no seio e os gritos do recém-nascido estão longe de provocar em todas as mães as mesmas atitudes.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Parece-me que devemos deixar a universalidade e a necessidade aos animais e admitir que a contingência e o particular são o apanágio do homem. A contingência dos comportamentos e dos sentimentos é o seu fardo, mas também a única falha pela qual se exprime sua liberdade. Hoje, uma mulher pode desejar não ser mãe: trata-se de uma mulher normal que exerce a sua liberdade, ou de uma enferma no que concerne às normas da natureza? Não teremos, com excessiva freqüência, tendência a confundir determinismo social e imperativo biológico? Os valores de uma sociedade são por vezes tão imperiosos que têm um peso incalculável sobre os nossos desejos. Por que não poderíamos admitir que quando não é valorizado por uma sociedade, e portanto não valoriza a mãe, o amor materno não é mais necessariamente desejo feminino?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A voz do ventre? Mas só hoje começamos a perceber como o desejo de ter um filho é complexo, difícil de precisar e de isolar de toda uma rede de fatores psicológicos e sociais.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>À idéia de &#8220;natureza feminina&#8221;, que cada vez consigo ver menos, prefiro a de uma multiplicidade de experiências femininas, todas diferentes, embora mais ou menos submetidas aos valores sociais cuja força calculo. A diferença entre a fêmea e a mulher reside exatamente nesse &#8220;mais ou menos&#8221; de sujeição aos determinismos. A natureza não sofre tal contingência e essa originalidade nos é própria.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A sobrevivência da espécie exige sem dúvida que façamos filhos, mas quem nos poderá obrigar a obedecer à santa natureza? A fêmea, esta não tem escolha&#8230; Hoje, já não podemos admitir como inevitável que a mulher tenha filhos. Nem mesmo que os ame, quando os teve. Mas isso, em contrapartida, não é novidade, embora seja sempre visto como um escândalo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Escândalo em relação à idéia generalizada de que a natureza é &#8220;boa&#8221;, de que nada faz em vão, etc. Idéia que nos remete a uma filosofia finalista, que encontra sua realização numa teodicéia, mesmo que não o confesse. Pois não é fácil sustentar que a natureza faz bem as coisas. Sua obra não está livre de defeitos. E para impor essa idéia é preciso defender duramente a sua causa que, para muitos, é a causa de Deus. Todo o problema consiste em demonstrar que vivemos no melhor mundo possível, o que, afinal de contas, não é evidente.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>É em virtude dessa &#8220;natureza boa&#8221; que se formula o seguinte silogismo: dado que a espécie sobrevive e que o amor materno é necessário a essa sobrevivência, o amor materno existe necessariamente. Quanto a mim, estou convencida de que o amor materno existe desde a origem dos tempos, mas não penso que exista necessariamente em todas as mulheres, nem mesmo que a espécie só sobreviva graças a ele. Primeiro, qualquer pessoa que não a mãe (o pai, a ama, etc.) pode &#8220;maternar&#8221; uma criança. Segundo, não é só o amor que leva a mulher a cumprir seus &#8220;deveres maternais&#8221;. A moral, os valores sociais, ou religiosos, podem ser incitadores tão poderosos quanto o desejo da mãe. É certo que a antiga divisão sexual do trabalho pesou muito na atribuição das funções da &#8220;maternagem&#8221; à mulher, e que, até ontem, esta se afigurava o mais puro produto da natureza. Será preciso lembrar também que em outras sociedades — e não das menores — a &#8220;boa natureza maternal&#8221; tolerava que se matassem as crianças do sexo feminino ao nascer?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Se é indiscutível que uma criança não pode sobreviver e desenvolver-se sem uma atenção e cuidados maternais, não é certo que todas as mães humanas sejam predestinadas a oferecer-lhe esse amor de que ela necessita. Não parece existir nenhuma harmonia preestabelecida nem interação necessária entre as exigências da criança e as respostas da mãe.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Nesse domínio, cada mulher é um caso particular. Algumas sabem compreender, outras menos, e outras ainda nada compreendem. E talvez aí esteja o mal metafísico, uma das causas essenciais da infelicidade humana. Mas será possível pensar em fugir desse mal negando sua existência?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>É verdade que a contingência do amor materno suscita uma terrível angústia em todos nós. Incerteza insuportável que põe novamente em questão nosso conceito de natureza, ou nossa fé em Deus. Como pode o melhor dos mundos incluir, além do mal físico, moral e metafísico, a ausência possível do amor da mãe? Os crentes, e os amantes do determinismo natural e da ordem que o acompanha, dificilmente são capazes de admiti-lo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Não será, porém, chegado o momento de abrir os olhos para as perturbações que contradizem a norma? E mesmo que essa tomada de consciência da contingência ameace nosso conforto, não será necessário levá-la finalmente em conta para redefinir nossa concepção do amor materno? Isso nos proporcionará uma melhor compreensão da maternidade, benéfica tanto para a criança como para a mulher.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A esse debate filosófico de grande importância, toda mulher — mãe ou não — está convidada. Neste momento, é a todas elas que cabe testemunhar, ouvir e julgar&#8230;</em></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">julho de 1981</p>
<p style="text-align:justify;">ELISABETH BADINTER</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
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